Pai da comandante da Guarda de Vitória relata momento em que filha foi assassinada por PRF
Pai relata assassinato da comandante da Guarda de Vitória por PRF

Pai da comandante da Guarda de Vitória relata momento do crime cometido por PRF

Carlos Roberto Teixeira, pai da comandante da Guarda Municipal de Vitória Dayse Barbosa, revelou que estava dormindo quando foi acordado pelos disparos que tiraram a vida de sua filha. O crime foi cometido pelo policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, namorado da vítima, por volta de 1h desta segunda-feira (23), no bairro Caratoíra, em Vitória.

Invasão e execução

Segundo o relato do pai, Diego utilizou uma escada para invadir o imóvel e acessar o quarto onde Dayse dormia. O agressor efetuou cinco tiros na cabeça da comandante, resultando em sua morte imediata. Após o ataque, o policial se dirigiu à cozinha da residência e cometeu suicídio.

"No primeiro tiro eu já acordei", afirmou Carlos Roberto em entrevista. "Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também", completou o pai, descrevendo o momento de terror vivido na madrugada.

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Relação conturbada e histórico de violência

De acordo com Carlos Roberto, Dayse e Diego mantinham um relacionamento de aproximadamente quatro anos, marcado por episódios recorrentes de violência doméstica. O pai revelou que já havia presenciado diversas brigas entre o casal, incluindo uma situação em que precisou intervir para impedir que o policial tentasse enforcar a filha.

"Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins", desabafou o pai. Apesar das agressões sofridas, Dayse nunca registrou denúncia formal contra o namorado junto às autoridades competentes.

Pressentimento e tentativa de arrombamento

Carlos Roberto contou que no dia anterior ao crime estava com um pressentimento negativo sobre a situação. "Ontem, eu tava com um pressentimento direto, fui no quarto e perguntei, 'Dayse, sua arma tá aí?', ela disse 'tá'", relembrou.

Na residência onde a comandante morava com o pai, foram encontradas marcas de tiros no quarto e na cozinha, além da escada utilizada na invasão, que foi guardada na despensa. Também havia sinais de uma tentativa de arrombamento na porta principal, ocorrida dias antes do crime fatal.

Motivação e investigações

Segundo informações da família, o crime teria sido motivado pela tentativa de Dayse em encerrar o relacionamento com Diego. A Polícia Científica esteve no local para realizar perícia e conversar com familiares. Os celulares de ambos foram encaminhados para análise, visando esclarecer a motivação completa do crime.

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória. Dayse Barbosa era a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital capixaba e deixa uma filha de oito anos. Diego Oliveira de Souza trabalhava na Polícia Rodoviária Federal em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e havia ingressado na corporação em 2020.

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