Pai denuncia falha da polícia após feminicídio em Bragança Paulista, SP
O pai da jovem de 24 anos assassinada a tiros na madrugada de domingo (22), em Bragança Paulista, interior de São Paulo, está revoltado com a demora da polícia em prender o principal suspeito, que é o ex-marido da vítima. Luene Vitória Moraes de Oliveira, mãe de três crianças, foi morta durante uma discussão com Marcelo Lucas de Souza Amaral, de 25 anos, que foi preso após o crime.
Histórico de violência ignorado
Em entrevista à TV Vanguarda, Jair Mendes de Oliveira, pai de Luene, confirmou que a jovem tinha uma medida protetiva contra o suspeito e que já havia sido vítima de tentativa de feminicídio cometida por ele em fevereiro deste ano. "Ela tinha medida protetiva e ninguém fez nada. Deu dois tiros nela e atirou no rapaz que estava com ela. E a polícia não fez nada. Esperou matar a minha filha para depois prender o cara", desabafou Jair.
O pai relatou que Marcelo desobedeceu três vezes a medida protetiva. "Foi feito B.O., mas parece que a polícia não fez nada. Esperou morrer primeiro. Depois que morreu, aí prendeu rapidinho o rapaz. Por que não prendeu antes?", questionou.
Proteção familiar insuficiente
Preocupado com as ameaças constantes, Jair dormiu na casa da filha durante toda a semana anterior ao crime para tentar protegê-la. "Contava que ele ficava ameaçando ela. Eu fiquei a semana passada inteira na casa dela. Eu trabalho em Bragança Paulista e ia dormir na casa dela para dar uma proteção. Fiquei a semana inteira e fui embora no sábado. No domingo cedo eu recebi a notícia da morte", lamentou.
Luene estava desempregada e era sustentada pelo pai. Ela deixou três filhos, sendo o mais novo, de um ano, também filho de Marcelo.
Detalhes do crime
O feminicídio ocorreu por volta das 1h15 da madrugada de domingo, na rua Doutor Freitas, no bairro Matadouro. Segundo testemunhas, quando o semáforo fechou, um motociclista disparou diversas vezes contra Luene, que estava em um carro. O suspeito, que carregava uma mochila de entregas, fugiu imediatamente após os disparos.
A Polícia Militar e o Samu foram acionados, mas a jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Ela foi atingida no rosto durante a discussão com o ex-marido.
Captura e confissão
Os policiais iniciaram buscas pelo suspeito e receberam informações de que ele estava escondido em uma casa na rua Sergipe, no bairro São Miguel. Ao perceber a chegada da PM, Marcelo pulou o muro e tentou fugir por uma área de mata, mas foi alcançado e preso.
De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito confessou ter matado Luene. "Após sua captura, o investigado confessou a prática do crime, informando ter efetuado disparos de arma de fogo contra a vítima em razão de não aceitar o término do relacionamento, inclusive afirmando ter atingido a região da face", narra o documento.
Sistema que falhou
O caso evidencia falhas graves no sistema de proteção a mulheres em situação de violência doméstica:
- Medida protetiva foi desrespeitada múltiplas vezes sem consequências
- Tentativa anterior de feminicídio em fevereiro não resultou em prisão preventiva
- Família precisou assumir papel de proteção que deveria ser do Estado
- Intervenção policial só ocorreu após o desfecho fatal
O boletim de ocorrência registra que Luene já havia sido vítima de violência doméstica por Marcelo anteriormente. O caso foi registrado como feminicídio e levanta questões urgentes sobre a efetividade das medidas de proteção a mulheres em risco.



