Onda de violência contra mulheres em MS: 6 casos graves em 3 dias, com 2 mortes
MS: 6 casos graves de violência contra mulheres em 3 dias

Onda de violência contra mulheres assusta Mato Grosso do Sul em apenas três dias

Uma série alarmante de casos graves de violência contra mulheres foi registrada em Mato Grosso do Sul entre os dias 12 e 14 de maio, envolvendo tanto a capital Campo Grande quanto municípios do interior. No período de apenas 72 horas, seis mulheres foram vítimas de agressões extremas por parte de companheiros ou ex-companheiros, resultando em duas mortes e quatro sobreviventes com ferimentos graves.

Panorama preocupante da violência de gênero no estado

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, o estado já contabiliza 11 casos de feminicídio sob investigação neste ano, além de 38 tentativas de feminicídio registradas. Os números revelam uma realidade preocupante que exige atenção imediata das autoridades e da sociedade como um todo.

Casos específicos que chocaram a população

Entre os episódios mais recentes, destaca-se o ataque ocorrido na segunda-feira (13) em Campo Grande, onde um homem de 25 anos aguardou escondido atrás de uma árvore para atacar sua ex-esposa quando ela retornava do trabalho. A vítima foi surpreendida com socos e facadas, mas conseguiu fugir e pedir ajuda. O agressor foi preso em flagrante e teve prisão preventiva decretada após audiência de custódia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No mesmo dia, no bairro Jardim Columbia, uma mulher de 47 anos escapou por pouco de um atentado contra sua vida quando o marido, identificado como subtenente da reserva da Polícia Militar Charles Cano da Mota, efetuou dois disparos contra ela. A vítima conseguiu escalar o muro da residência e foi encaminhada para a Santa Casa de Campo Grande.

Tragicamente, a arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, não teve a mesma sorte. Ela faleceu após cair da própria caminhonete em movimento na BR-163 e ser atropelada em seguida. O marido, que dirigia o veículo, foi preso sob acusação de feminicídio.

Violência se espalha pelo interior do estado

A onda de violência não se limitou à capital. No domingo (12), em Eldorado, um homem matou a ex-mulher de 41 anos a tiros e cometeu suicídio na frente da filha do casal, de apenas 9 anos. No mesmo dia, em Água Clara, um homem de 34 anos foi preso suspeito de tentar matar sua companheira de 38 anos atropelando-a com um carro após uma discussão. A vítima foi socorrida em estado grave.

Na madrugada de terça-feira (14), em Campo Grande, a Polícia Militar precisou intervir no bairro Jardim São Conrado, onde um homem tentava impedir a entrada dos policiais em uma residência onde uma mulher de 30 anos estava sendo agredida.

Psicóloga explica padrão comportamental dos agressores

A psicóloga Rafaelle Bonfim, da Casa da Mulher Brasileira, analisa que esses casos seguem um padrão claro relacionado à necessidade de controle do agressor sobre a vítima. "No momento em que ela diz não e rompe o relacionamento, ele não consegue lidar com o fato de que perdeu o controle e o poder sobre ela", explica a especialista.

Bonfim destaca ainda que, na maioria das situações, a morte não representa o primeiro episódio de violência, mas sim o ápice de uma escalada que poderia ter sido interrompida anteriormente. "É importante observar sinais desde o início e buscar ajuda", reforça a psicóloga.

Importância crucial da denúncia e do rompimento do silêncio

A profissional enfatiza a necessidade de propagar informações sobre os mecanismos de proteção disponíveis para mulheres em situação de violência. "Mostrar para ela que não está sozinha, que existem equipamentos de proteção às mulheres em situação de violência que são realmente eficazes", afirma Bonfim.

Segundo a psicóloga, para que haja suporte adequado, "é imprescindível que a mulher não passe por isso, que ela rompa o silêncio e denuncie". A conscientização sobre a importância da denúncia precoce pode ser determinante para evitar tragédias futuras e oferecer proteção efetiva às vítimas de violência doméstica.

Os casos recentes em Mato Grosso do Sul reforçam a urgência de políticas públicas mais eficazes e de uma mudança cultural profunda no combate à violência contra as mulheres, problema que continua a ceifar vidas e traumatizar famílias em todo o estado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar