Defensoria Pública sugere progressão antecipada para 110 presas em penitenciária superlotada de Cuiabá
Progressão antecipada para 110 presas em penitenciária superlotada de Cuiabá

Defensoria Pública sugere progressão antecipada para 110 presas em penitenciária superlotada de Cuiabá

A Defensoria Pública de Mato Grosso encaminhou uma sugestão à Justiça para que aproximadamente 110 mulheres presas na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, localizada em Cuiabá, possam ter a progressão para o regime semiaberto antecipada. Nesse regime, as detentas têm permissão para sair da unidade prisional durante o dia para trabalhar ou estudar, retornando ao presídio no período noturno.

Inspeção revela superlotação crítica e problemas estruturais graves

A proposta foi formulada após uma inspeção realizada em fevereiro de 2026, que constatou uma situação alarmante de superlotação e diversas deficiências estruturais na penitenciária. O objetivo principal da medida é reduzir significativamente o número de internas, ajustando a ocupação do presídio para até 90% de sua capacidade total, índice considerado mais adequado para o funcionamento seguro e humano do estabelecimento.

A Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May possui capacidade oficial para 316 vagas, mas atualmente abriga 403 detentas, o que representa uma taxa de ocupação exorbitante de 127,5%. Isso significa que existem 87 presas a mais do que o limite máximo previsto pela infraestrutura do local.

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Problemas identificados vão além da superlotação

Além da superlotação crítica, a inspeção detalhada identificou uma série de problemas estruturais e administrativos que comprometem a qualidade de vida e os direitos das internas. Entre as principais questões levantadas estão:

  • Falhas no abastecimento de água, afetando as condições básicas de higiene e saúde.
  • Atendimento de saúde insuficiente, com 121 mulheres relatando necessidade urgente de acompanhamento médico especializado.
  • Falta de oportunidades de trabalho para a grande maioria das internas, limitando suas chances de remição de pena e reinserção social.

O diagnóstico também apontou graves problemas administrativos que impactam diretamente o tempo de permanência das detentas no sistema prisional. Destaque para a falta de registro adequado de atividades que poderiam gerar remição de pena e a ausência de documentos civis para uma parte significativa das presas, o que dificulta enormemente o acesso ao trabalho formal e a benefícios previstos em lei.

Processo individualizado e critérios rigorosos

É importante ressaltar que todas as 110 mulheres indicadas para a progressão antecipada devem atingir em breve os requisitos legais necessários para essa mudança de regime. No entanto, a proposta da Defensoria Pública não prevê a liberação automática das presas. Cada caso continuará sendo analisado individualmente pelas autoridades judiciárias, com estrito cumprimento da legislação vigente.

A antecipação proposta refere-se apenas a um dos requisitos para agilizar a mudança de regime daquelas que já estão próximas de cumprir todas as exigências legais. A concessão efetiva da progressão para o semiaberto só ocorrerá caso todos os demais critérios estabelecidos em lei sejam integralmente cumpridos pelas detentas.

Alinhamento com diretrizes nacionais

Segundo a Defensoria Pública de Mato Grosso, a medida segue rigorosamente as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está em consonância com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Essas orientações determinam ações concretas e urgentes para reduzir a superlotação crônica no sistema prisional brasileiro, considerada uma violação de direitos humanos fundamentais.

A iniciativa representa um esforço institucional para enfrentar um problema estrutural que afeta não apenas as condições de encarceramento, mas também a eficácia do sistema de justiça criminal como um todo. A expectativa é que a progressão antecipada contribua para desencadear um processo mais amplo de humanização do sistema prisional mato-grossense.

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