Ministra das Mulheres comenta prisão de PM suspeito de feminicídio durante agenda em Piracicaba
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve em Piracicaba nesta quarta-feira (18) para participar de encontros contra o feminicídio e comentou sobre a prisão do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, investigado como suspeito de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro deste ano.
Caso que mudou de suicídio para feminicídio
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como feminicídio após investigações mais aprofundadas. Em entrevista à EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região, a ministra destacou a necessidade de celeridade nas investigações. "É lamentável qualquer atitude agressiva de alguém que, a rigor, deveria agir como uma liderança, deveria ser exemplo de humanidade, exemplo nessa convivência pacífica, possa ter cometido isso. Será investigado, é claro. Mas nós queremos justiça. Que bom ele foi detido. E que essa investigação seja o mais rápido, aconteça o mais rápido possível", afirmou Márcia Lopes.
Assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio
A titular da pasta esteve na cidade para a assinatura do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo Governo Federal em fevereiro, com o objetivo de fortalecer as ações governamentais de proteção às mulheres em todas as esferas de poder. "Nossa orientação é essa mesma. Que quando há uma situação de morte dentro das casas das mulheres, das casas dos casais, das pessoas, das famílias, isso seja caracterizado como feminicídio. E, em seguida, é verificado se é ou não. Mas, geralmente é", comentou a ministra, acrescentando: "O que temos visto é que, em uma situação com essas características, é um feminicídio. O que queremos é justiça. Ele disse, inicialmente, que a esposa se matou e a família dela questionou isso, contestando a versão dele".
Importância da denúncia imediata
Durante sua passagem por Piracicaba, Márcia Lopes também reforçou a importância de se denunciar qualquer tipo de agressão, seja verbal ou física. "Um feminicídio acontece depois de muitas situações. Por isso, temos o Ligue 180 e orientamos que uma mulher nunca espere para denunciar, porque um xingamento, um empurrão, um tapa, uma agressão física qualquer, isso tudo já é um indício de que esta pessoa, esse parceiro ou ex-marido já tem uma intenção. E num momento dado, isso acaba acontecendo. Independentemente de quem seja essa mulher. Independente de quem seja esse agressor, do cargo que ele ocupe, da função que ele tenha", completou a ministra.
Detalhes do Pacto Nacional Contra o Feminicídio
O Pacto Nacional contra o Feminicídio foi assinado na Câmara Municipal de Piracicaba na manhã desta quarta-feira (18) com a participação da ministra. O documento cobra celeridade nos processos relacionados à violência contra mulheres e reforça medidas como:
- Funcionamento contínuo das delegacias especializadas
- Ampliação das políticas municipais de proteção
- Orientação para uso do Ligue 180 como canal de denúncia
Após a agenda em Piracicaba, a ministra seguiu para compromissos em Hortolândia e Campinas, onde participou de reuniões na Câmara Municipal e no Sindicato dos Servidores Públicos Federais da Justiça do Trabalho, no bairro Ponte Preta.
O caso do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto continua sob investigação, com as autoridades buscando esclarecer todas as circunstâncias que levaram à morte da policial militar Gisele Alves Santana, em um episódio que chama atenção para a gravidade do feminicídio mesmo entre membros das forças de segurança.



