Mãe e filho de seis anos são assassinados a facadas no sul da Bahia
Uma tragédia chocou a cidade de Ibirapitanga, no sul da Bahia, no último domingo (5). Karielle Lima Marques de Souza, de 23 anos, e seu filho Nicolas Marques Sodré, de apenas 6 anos, foram mortos a facadas em um crime brutal que levou o município a decretar luto oficial.
Vítima era símbolo de representatividade
Karielle trabalhava como atendente de classe no grupo escolar municipal Edson Ramos, no bairro Novo, e também era trancista e capoeirista. Ela havia representado Ibirapitanga no concurso Deusa do Ébano 2025, em Salvador, sendo reconhecida como um símbolo da beleza negra e da potência da juventude baiana.
A jovem mãe deixou ainda outra criança de apenas dois meses, que não estava presente no momento do crime. Por meio do Instagram, o Bloco Ilê Aiyê publicou uma nota de pesar, destacando que Karielle era "mais do que uma candidata" e representava "futuro e representatividade".
Crime foi premeditado e perseguição vinha de longa data
De acordo com informações da família à TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia na região, o suspeito perseguia Karielle há dias e ela planejava registrar um boletim de ocorrência. O delegado de Ibirapitanga, Rodrigo Fernando, detalhou que a vítima mantinha um relacionamento com outro homem, mas Rolemberg Santos de Pina, de 32 anos, tentava se aproximar dela desde a adolescência, sendo sempre recusado.
O crime aconteceu em frente à casa onde Karielle morava com os dois filhos, também no bairro Novo. Testemunhas relataram que ela saía da residência quando foi surpreendida pelo suspeito, que estava escondido atrás de um carro. Rolemberg morava em uma casa próxima e aproveitou um momento em que o companheiro da vítima havia saído para trabalhar.
Suspeito é encontrado morto após o duplo homicídio
Após matar mãe e filho a facadas, Rolemberg fugiu do local. Ele foi encontrado morto em um imóvel na zona rural de Maraú, também no sul da Bahia. A polícia informou em nota que havia sinais de que ele teria tirado a própria vida, embora as investigações continuem para esclarecer todos os detalhes do caso.
O Bloco Ilê Aiyê, em sua nota, destacou a urgência de ações contra a violência: "Este não é um caso isolado. É reflexo de uma estrutura que insiste em violentar, silenciar e interromper vidas negras. É urgente que a sociedade, o poder público e todas as instituições assumam seu papel no enfrentamento dessa realidade".
A morte de Karielle e Nicolas deixou a comunidade de Ibirapitanga em estado de choque, com amigos, familiares e colegas de trabalho lamentando a perda de duas vidas promissoras de forma tão violenta e prematura.



