Médico idoso é preso por estupro de vulnerável contra neta de quatro anos em São Paulo
Um médico de 76 anos foi preso preventivamente pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, no litoral paulista, acusado de cometer estupro de vulnerável contra sua própria neta, uma criança de apenas quatro anos de idade. O caso, que chocou a região, teve a prisão decretada pela Justiça de Santos no dia 7 de março, sendo cumprida na última sexta-feira (13).
Detalhes do crime e comportamento da vítima
De acordo com o relato da mãe da criança à Polícia Civil, a menina retornou da casa do pai, localizada na capital paulista, no dia 22 de fevereiro, apresentando comportamento atípico, demonstrando tristeza e retração. Preocupada com a mudança de atitude da filha, a genitora questionou a criança sobre o ocorrido, momento em que a pequena revelou detalhes do abuso sexual cometido pelo avô paterno.
A menina contou ainda que o próprio pai, ao descobrir o crime, repreendeu o idoso, mas pediu explicitamente para que ela não relatasse o acontecido a ninguém, especialmente à mãe. O homem teria justificado que não seria necessário informar a genitora, pois ele próprio impediria que o avô repetisse tal comportamento. A criança expressou medo de que o avô pudesse voltar a lhe fazer mal, evidenciando o trauma psicológico causado pela violência.
Contexto familiar e investigação policial
Os pais da vítima são separados e dividem a guarda da menina, que reside com a mãe em São Vicente e passa um fim de semana a cada quinze dias na casa do pai, em São Paulo. A autoridade policial solicitou a prisão preventiva do médico não apenas pelo contexto em que o crime foi praticado, mas também pela tentativa do genitor de silenciar a vítima, o que configura agravante no processo.
O Ministério Público ofereceu parecer favorável ao pedido de prisão, e o juiz Frederico dos Santos Messias decretou a custódia preventiva, fundamentando que existem provas suficientes da autoria e materialidade do crime. A equipe da DDM localizou o médico em um apartamento no bairro Jardim Paulista, em São Paulo, conduzindo-o ao 78° Distrito Policial da capital. Atualmente, o idoso encontra-se à disposição da Justiça no Centro de Detenção Provisória (CDP) Pinheiros 1.
Defesa do acusado e alegações de alienação parental
Por meio de nota, os advogados Daniel Leon Bialski, Bruno Garcia Borragine e André Mendonça Bialski, que representam o médico preso, afirmaram que o cliente repudia veementemente as acusações. A defesa alega que as imputações são baseadas em alienação parental e denunciação caluniosa, destacando que um exame pericial realizado rechaçaria qualquer tipo de abuso.
Os advogados argumentam ainda que existe uma ótima relação entre avô e neta, pautada por respeito, afeto e carinho, e que a prisão foi decretada por juiz incompetente. Eles informaram que já estão contestando a decisão judicial perante o Poder Judiciário, apresentando provas robustas para elidir as acusações e evidenciar a ilegalidade da custódia decretada, confiando na reversão da medida e no futuro arquivamento do processo.
Orientações sobre proteção infantil e sinais de abuso
Diante da gravidade do caso, especialistas reforçam a importância de estar atento aos sinais que crianças vítimas de violência e abuso sexual podem apresentar. Comportamentos como retração social, mudanças bruscas de humor, medo excessivo de determinadas pessoas ou lugares, e relatos espontâneos sobre situações inadequadas devem ser levados a sério e investigados com cuidado.
A proteção infantil requer vigilância constante por parte de familiares, educadores e profissionais de saúde, além da criação de ambientes seguros onde as crianças se sintam confortáveis para compartilhar suas experiências. Denúncias podem ser feitas através de canais especializados, garantindo que casos como este sejam devidamente apurados e que os responsáveis sejam responsabilizados perante a lei.
