Jovem de 23 anos morre após ser queimada dentro de casa em Goiás; caso é investigado como feminicídio
Jovem queimada em Goiás morre; caso é feminicídio

Jovem de 23 anos morre após sofrer queimaduras graves dentro de casa em Goiás

A jovem Emilli Vitória Guimarães Lopes, de apenas 23 anos, faleceu no domingo (8), após passar onze dias internada na Unidade de Terapia Intensiva de Queimados do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiás. O trágico incidente ocorreu no dia 28 de janeiro, dentro da própria residência da vítima, e tem mobilizado as autoridades policiais e a comunidade local.

Denúncia familiar aponta companheiro como autor do crime

De acordo com uma denúncia formal apresentada pela família de Emilli, a jovem teria sido intencionalmente queimada pelo seu companheiro, Raffael Castro da Silva. O suposto crime aconteceu na frente da filha do casal, uma criança de apenas três anos de idade, que posteriormente relatou os fatos aos avós maternos. Em entrevista à TV Anhanguera, o pai da vítima, Elton José Silva Lopes, reproduziu as palavras da neta: “Papai jogou fogo na mamãe”.

A mãe de Emilli, Pauliana Alves Guimarães da Silva, reforçou a suspeita ao lembrar que a filha já havia sido agredida fisicamente por Rafael em ocasiões anteriores. Na época, Emilli chegou a se mudar para a casa dos pais por um período, mas acabou retomando o relacionamento com o suspeito, o que culminou no episódio fatal.

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Polícia Civil investiga o caso como feminicídio

A Polícia Civil de Goiás confirmou que o caso está sendo tratado como feminicídio e está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Aparecida de Goiânia. As investigações seguem em andamento, com os agentes coletando provas e depoimentos para elucidar as circunstâncias exatas do ocorrido.

Em nota oficial, o Hugol informou que, apesar de todos os esforços da equipe multidisciplinar e dos procedimentos médicos realizados, a paciente não resistiu aos ferimentos. A instituição hospitalar lamentou profundamente o desfecho e prestou solidariedade à família enlutada.

Versão do suspeito é marcada por contradições

Raffael Castro da Silva, por sua vez, apresentou uma versão completamente diferente dos fatos. Ele afirmou à família que se tratou de um acidente doméstico enquanto Emilli preparava o jantar. Segundo seu relato, a jovem estaria limpando a pia quando um recipiente de vidro contendo produto de limpeza teria explodido, atingindo seu corpo e causando as queimaduras.

O suspeito disse que, ao perceber a companheira em chamas, a colocou debaixo do chuveiro e, em seguida, a levou imediatamente ao pronto-socorro. No entanto, o pai de Emilli, Elton José, apontou várias inconsistências nessa narrativa:

  • Rafael teria mencionado em um momento que o produto era álcool em gel, substância que não pega fogo facilmente;
  • Ele afirmou que o recipiente estava destampado, mas não explicou como saberia desse detalhe se correu direto para ajudar a vítima;
  • Pela forma como descreveu o socorro, deveria apresentar queimaduras nas mãos ou braços, o que não aconteceu.

Além disso, a família só tomou conhecimento do suposto acidente dias depois, através de uma cunhada de Emilli, já que Rafael não comunicou os pais da vítima sobre a gravidade da situação. Pauliana, a mãe, destacou que questionou o genro sobre sua possível autoria, mas ele negou veementemente, insistindo na versão do acidente.

Contexto de violência doméstica e impacto social

Este caso chocante evidencia a gravidade da violência doméstica no Brasil, especialmente quando envolve mulheres jovens e mães. A presença da filha de três anos durante o crime agrava ainda mais a situação, deixando marcas psicológicas profundas na criança, que testemunhou a agressão contra a própria mãe.

A investigação policial agora busca reunir provas técnicas, como perícias no local do crime e exames no corpo da vítima, para confirmar ou descartar a hipótese de feminicídio. Enquanto isso, a comunidade de Aparecida de Goiânia e toda Goiás acompanham com apreensão o desenrolar das apurações, esperando que a justiça seja feita para Emilli Vitória e sua família.

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O g1 Goiás tentou contato com a defesa de Raffael Castro da Silva, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria. O caso segue como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes no combate à violência contra a mulher e na proteção das vítimas.