Uma jovem empregada doméstica, grávida, viveu momentos de terror ao ser torturada pela patroa e por um policial militar em um condomínio de Passo do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, no Maranhão. O caso ocorreu em abril deste ano, quando a jovem foi acusada injustamente de furtar um anel. Em entrevista, ela afirmou que, ao ouvir os áudios divulgados durante a investigação, reviveu toda a violência sofrida.
Áudios revelam deboche e agressões
Nos áudios, a empresária Carolina Stella Ferreira dos Anjos narra, em tom de deboche, as agressões físicas e psicológicas impostas à funcionária. Em um dos trechos, ela afirma ter batido repetidamente na jovem, chegando a dizer que a mão ficou inchada. "Veio tudo à tona, como um filme, só que um filme bem doloroso", relatou a vítima. Samara, como é chamada a jovem, contou que não conhecia o conteúdo das gravações até que o caso ganhasse destaque público. Agora, ela tenta lidar com os traumas. "Ficou aquele medo", resumiu.
Ameaças e violência física
A jovem foi ameaçada com uma arma e submetida a sessões de espancamento com socos, tapas e humilhações. Mesmo grávida, precisou se proteger no chão para evitar chutes na barriga. O exame de corpo de delito confirmou múltiplas lesões pelo corpo, provocadas pelas agressões físicas. De acordo com a polícia, além da empresária, um policial militar identificado como Michael Bruno Lopes Santos também participou das torturas. Ambos foram presos e são investigados por crimes como tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura e cárcere privado.
Esperança de justiça
Ao comentar o caso, Samara afirmou que espera que a divulgação dos áudios contribua para que os responsáveis sejam punidos. "Eu espero justiça. Eu acho que, na cabeça deles, ia ficar por isso mesmo", disse. Apesar do trauma, a doméstica recebeu uma notícia que trouxe alívio em meio ao sofrimento: o resultado da ultrassonografia realizada após as agressões. "O médico falou que estava tudo bem. Graças a Deus. Deu aquela sensação de que vai ficar tudo bem mesmo", contou.
Realidade de vulnerabilidade
A defesa de Samara afirma que não há qualquer prova contra a jovem e destaca que o caso revela uma realidade enfrentada por muitas mulheres em situação de vulnerabilidade. O exame de corpo de delito confirmou lesões no rosto, nas costas e no braço esquerdo, além de manchas pelo corpo. Carolina e Michael foram presos e são investigados por crimes como tentativa de homicídio, tortura e cárcere privado. As defesas deles afirmaram que acompanham as investigações e que só irão se manifestar após a conclusão do inquérito.



