Jovem autista sofre fratura após suposta agressão em escola inclusiva de Cabo Frio
Jovem autista fratura fêmur após episódio em escola de Cabo Frio

Jovem com autismo sofre fratura grave após incidente em escola municipal inclusiva

A mãe de um jovem diagnosticado com autismo, nível de suporte 3, e transtorno do desenvolvimento está denunciando uma grave ocorrência na Escola Municipal Renato Azevedo, instituição inclusiva localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Segundo o relato, o estudante Davi Elias Júnior, de 21 anos, teria sido agredido por um professor, resultando em uma fratura no colo do fêmur que exigiu internação hospitalar.

Internação e aguardo por cirurgia

O jovem encontra-se internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, aguardando uma cirurgia marcada para esta terça-feira (17). A lesão foi confirmada através de exames de tomografia após o estudante apresentar intensa dor e dificuldades de locomoção. A mãe, Cristina da Conceição Costa, relata que o episódio ocorreu na última quarta-feira (11), durante o período de aulas, mas a família só tomou conhecimento da gravidade ao buscar o filho no transporte escolar.

"Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado", afirmou a responsável, destacando a falta de comunicação imediata por parte da instituição de ensino.

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Relatos contraditórios e versão dos fatos

Inicialmente, a escola registrou na agenda do aluno que Davi teria "resistido a levantar, se desequilibrado e caído". No entanto, após buscas por esclarecimentos, a mãe afirma que auxiliares presentes relataram uma dinâmica diferente.

"Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda", contou Cristina, questionando a veracidade da primeira versão apresentada.

Conforme o relato detalhado, o jovem estava deitado em um tatame após a aula de educação física quando foi chamado para ir embora. Ao resistir a se levantar, teria ocorrido o episódio que resultou na queda. A mãe acrescenta que, mesmo após o ocorrido, o estudante foi obrigado a caminhar da quadra até o portão, agravando possivelmente a lesão.

Falta de suporte e dificuldades no atendimento

Além da denúncia sobre o incidente, a família relata dificuldades durante o atendimento hospitalar. O jovem permaneceu por dias sem acesso a um leito adequado, ficando na sala de medicação.

"Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte", declarou a mãe, evidenciando a ausência de acompanhamento por parte da instituição educacional.

Investigações policiais e medidas administrativas

Após a repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio registrou um boletim de ocorrência, e o episódio passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa. O registro indica que o fato teria ocorrido no momento da saída dos alunos, quando o jovem foi conduzido ao ônibus escolar, ocasião em que teria sido empurrado, caído e se lesionado, com testemunhas sendo auxiliares de classe.

A mãe, no entanto, não concorda com a forma como o registro foi feito, afirmando que a ocorrência foi formalizada sem a presença da família.

"Meu marido foi lá depois, mas não assinou nada. Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença", disse, informando que pretende registrar um novo boletim após a cirurgia, com base no laudo médico completo, e reforçando que considera ter havido omissão por parte da escola.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e medidas administrativas internas foram iniciadas pela rede municipal de ensino. A Prefeitura de Cabo Frio informou, através de contato com o g1, que está apurando todos os detalhes do ocorrido.

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