Irmã de Simone Menezes busca justiça em julgamento de feminicídio em Jaboatão dos Guararapes
Irmã de vítima fala sobre julgamento de feminicídio em PE

Julgamento de feminicídio em Jaboatão dos Guararapes tem início com apelo por justiça

Teve início nesta quarta-feira (11) o julgamento de Ewanderson João da Silva, de 37 anos, acusado de cometer feminicídio contra a ex-namorada Simone Cosme Menezes, de 42 anos. O crime ocorreu dentro da ONG onde a vítima trabalhava, no bairro de Sucupira, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife. A sessão judicial começou por volta das 9h30, no Fórum de Prazeres, com a presença marcante de familiares e amigos da vítima, que carregavam cartazes em memória de Simone.

Apelo da família por justiça e leis mais duras

Em entrevista exclusiva à TV Globo, Flávia Valéria, irmã de Simone Menezes, expressou sua busca por justiça não apenas para o caso específico, mas para todas as mulheres vítimas de violência. "Eu não vejo ainda justiça para esse tipo de crime. Cada dia é um caso diferente, cada dia é mais estarrecedor o que a gente vê. É assombrador", declarou Flávia, emocionada.

Ela destacou a necessidade urgente de punições mais rigorosas para crimes de feminicídio no Brasil. "Simone era aquela pessoa do 'não é não', então eu tenho essa minha visão de buscar pelos direitos. Eu queria me sentir mais aliviada, não só por hoje, mas por outras mulheres. [Gostaria] que isso parasse, que tivesse uma lei mais severa para esse tipo de crime", completou a irmã da vítima, reforçando o apelo por mudanças legislativas.

Detalhes do crime que chocou a comunidade

O feminicídio aconteceu no dia 29 de janeiro de 2025, dentro da sede da ONG "Núcleo de Apoio Ativa Social", localizada no bairro de Sucupira. Simone Menezes foi brutalmente assassinada com três facadas, em um ataque que, conforme apurações policiais, foi executado sem dar qualquer chance de defesa à vítima.

Testemunhas e amigas próximas relataram que Simone e Ewanderson mantiveram um relacionamento de aproximadamente três meses, que havia terminado pouco antes do crime. De acordo com os depoimentos, o acusado não aceitava o fim da relação e persistia em tentativas de reatar o contato.

  • Uma semana antes do feminicídio, Ewanderson compareceu à ONG levando flores para Simone, na esperança de reatar o namoro, mas foi rejeitado pela vítima.
  • No dia do crime, ele retornou ao local de trabalho de Simone e aproveitou os intervalos de almoço da equipe para entrar na instituição e cometer o assassinato.

Investigação policial e prisão do acusado

As equipes da Força-Tarefa de Homicídios da Polícia Civil iniciaram buscas intensivas ainda no mesmo dia do assassinato. Na madrugada de 30 de janeiro, Ewanderson João da Silva foi localizado e preso, sendo imediatamente conduzido ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em prisão preventiva durante a audiência de custódia, garantindo que o acusado permaneça detido enquanto aguarda o desfecho do processo judicial. O julgamento, que agora está em andamento, representa um momento crucial para a família de Simone e para a luta contra a violência de gênero em Pernambuco.

A comunidade local e movimentos de defesa dos direitos das mulheres acompanham atentamente o caso, esperando que a justiça seja feita e que o resultado possa servir como um marco na prevenção de futuros feminicídios. A dor da perda ainda é palpável entre os presentes no fórum, mas a determinação em buscar respostas e mudanças permanece firme.