Idosa morre com larvas na boca após resgate de casa de repouso clandestina em Ribeirão Preto
Idosa morre com larvas após resgate em casa de repouso clandestina

Idosa de 87 anos morre após resgate de casa de repouso clandestina em Ribeirão Preto

A idosa de 87 anos, que foi resgatada com larvas na boca em uma casa de repouso clandestina em Ribeirão Preto (SP), faleceu nesta segunda-feira (30). Ela estava internada desde quarta-feira (25) na Santa Casa da cidade, onde havia passado por uma cirurgia para tratar a infestação. Até o momento, não há informações divulgadas sobre o velório e o enterro da vítima.

Quadro clínico grave e negligência

A paciente desenvolveu um quadro de miíase oral, condição popularmente conhecida como "bicheira", caracterizada pela infestação de larvas e moscas na pele. Essa situação ocorre tipicamente quando lesões nos tecidos não recebem tratamento adequado ou cuidados básicos de higiene. Após o resgate na quarta-feira, ela foi transportada de ambulância para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste e, posteriormente, encaminhada à Santa Casa, onde também foi diagnosticada com pneumonia.

Familiares da idosa descreveram a situação como um "filme de terror", expressando horror com as condições em que ela foi encontrada. Segundo relatos, a casa de repouso alegou que a infestação ocorreu porque a idosa "ficava muito com a boca aberta", argumento considerado absurdo pelos parentes.

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Casa de repouso interditada e resgate de idosos

A Instituição Geriátrica Day Care Acolher, localizada no bairro Monte Alegre, foi interditada na quarta-feira após uma fiscalização da Vigilância Sanitária. O estabelecimento funcionava sem autorização, configurando-se como uma operação clandestina. Durante a operação, os responsáveis pelo local foram identificados e estavam presentes no imóvel.

Além da idosa falecida, outros 11 idosos viviam no local. Nove deles foram encaminhados a hospitais no mesmo dia do resgate. Apenas uma paciente permaneceu inicialmente no local, sob acompanhamento do poder público, mas já foi entregue aos cuidados de familiares, conforme informado pela Prefeitura de Ribeirão Preto.

Histórico de negligência e investigação policial

A idosa estava sob os cuidados da casa de repouso há aproximadamente três anos. A decisão de interná-la foi tomada após a morte do filho de consideração com quem ela morava, já que os familiares trabalhavam fora o dia todo e não podiam oferecer assistência contínua. A despesa mensal de R$ 4,5 mil era custeada por um rateio entre os membros da família.

De acordo com relatos, os familiares notavam uma piora progressiva nos serviços prestados a cada visita. Em uma ocasião, havia apenas dois cuidadores no local, e a idosa passou a se alimentar por sonda sem que nenhum laudo médico fosse apresentado para justificar a medida.

A Polícia Civil esteve na casa de repouso na última quarta-feira e deve instaurar um inquérito para investigar as suspeitas de maus-tratos. O promotor de Justiça Carlos Cezar Barbosa informou, em nota, que aguarda a conclusão da apuração da Vigilância Sanitária para avaliar as medidas a serem adotadas pelo Ministério Público. Equipes das secretarias da Saúde e da Assistência Social também participaram dos trabalhos durante a fiscalização.

Este caso chocante evidencia os riscos associados a estabelecimentos clandestinos que exploram a vulnerabilidade de idosos, muitas vezes em decorrência da falta de políticas públicas adequadas para o envelhecimento.

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