Feminicídio em Uberlândia: Suspeito solto 9 dias antes mata ex-companheira na frente do filho
Feminicídio em Uberlândia: Suspeito solto 9 dias antes mata ex

Feminicídio em Uberlândia: Suspeito solto pela Justiça mata ex-companheira na frente do filho

Um caso de feminicídio chocou Uberlândia, no Triângulo Mineiro, quando Marcelo Rodrigues Miranda, de 45 anos, assassinou sua ex-companheira Ranielly Raissa Aparecida Silva, de 32 anos, na tarde de domingo (15). O crime ocorreu na frente do filho do casal, um menino de seis anos, e foi registrado por câmeras de segurança do bairro Maravilha.

Suspeito estava preso por violência doméstica e foi solto nove dias antes

Marcelo Rodrigues Miranda estava preso por violência doméstica e foi solto pela Justiça apenas nove dias antes do feminicídio. Ele deixou o sistema prisional em 6 de março após receber um alvará de soltura, conforme confirmado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Documentos obtidos pela TV Integração revelam que Marcelo foi condenado pela Vara de Violência Doméstica e Família da Comarca de Uberlândia. No entanto, a sentença concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade, fixando o início do cumprimento da pena em regime aberto.

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Na decisão judicial, a Justiça destacou que manter a prisão preventiva seria desproporcional e incompatível com o regime definido na condenação. Por essa razão, a prisão preventiva foi revogada e o alvará de soltura expedido de forma imediata, desde que o réu não estivesse preso por outro processo.

Crime foi presenciado pelo filho de seis anos

O crime ocorreu por volta das 16h30, quando Marcelo chegou à casa da ex-companheira acompanhado do filho. As imagens de segurança mostram que ele entrou na residência enquanto o menino permaneceu na calçada. Minutos depois, o homem aparece agredindo Ranielly, jogando-a no chão e desferindo vários golpes com uma faca.

A cena foi testemunhada pelo garoto de seis anos. Após o ataque, o vídeo mostra Marcelo colocando o filho no carro e fugindo do local. A Polícia Militar foi acionada após a filha da vítima, uma menina de oito anos, pedir ajuda a uma vizinha.

Vítima tinha histórico de violência doméstica

Ranielly Raissa já tinha histórico de violência doméstica praticada por Marcelo desde 2022. Segundo a sargento da PM, Flávia Cristina Misael, devido à reincidência e à gravidade das denúncias, o caso chegou a ser acompanhado por uma equipe especializada de proteção à mulher.

"Como foram diversos os registros, então nós vimos a importância de acolher essa mulher, de apresentar a ela esse serviço e mostrar que ela não estava sozinha", comentou a sargento. "Só que, infelizmente, essa questão de quebrar esse ciclo é 50-50. Por não estar sozinha, ela deveria buscar esse apoio junto aos órgãos da rede".

A Polícia Civil confirmou que, independentemente de representação da vítima, o suspeito tinha medidas protetivas que o impediam de se aproximar ou manter contato com ela. Vizinhos relataram que Ranielly havia contado que o ex-companheiro já tinha ameaçado matá-la anteriormente.

Suspeito foi preso após 24 horas

Marcelo fugiu levando o filho do casal após o crime. O menino foi encontrado pela Polícia Civil cerca de 24 horas após o feminicídio, e o agressor foi preso no final da tarde de segunda-feira (16).

De acordo com o relato do irmão da vítima para a PM, o crime aconteceu no momento em que o menino seria devolvido à mãe, após passar o fim de semana com o pai.

Histórico criminal do agressor

A Sejusp confirmou que Marcelo Rodrigues Miranda tem cinco passagens pelo sistema prisional desde março de 2016. A mais recente foi no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, onde ficou preso entre 18 de outubro de 2025 e março deste ano, quando recebeu o alvará de soltura.

A perícia da Polícia Civil constatou diversos ferimentos no pescoço, rosto e mãos da vítima. O corpo foi liberado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos necessários.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso tramita em segredo de Justiça e, por isso, não pode divulgar mais informações sobre o processo e detalhes da sentença. A reportagem tenta contato com a defesa de Marcelo Rodrigues Miranda.

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