Ex-segurança de farmácia é preso por feminicídio de atendente em Cubatão
Ex-segurança preso por feminicídio de atendente em farmácia

Ex-segurança de farmácia é preso por feminicídio de atendente em Cubatão

O ex-segurança de farmácia Felipe Alves de Souza Lima, acusado de assassinar a tiros a atendente Ana Flávia Pereira Oliveira dentro do estabelecimento comercial onde ambos trabalhavam, será submetido a júri popular nesta quinta-feira (19) no Fórum de Cubatão, no estado de São Paulo. O crime, classificado como feminicídio, ocorreu em abril de 2023 e chocou a comunidade local.

Detalhes do crime brutal

Ana Flávia, de 42 anos, foi atingida por disparos na cabeça e no ombro enquanto trabalhava na farmácia localizada na Avenida Martins Fontes, no bairro Vila Nova. Apesar de ter sido rapidamente socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Central da cidade, a vítima não resistiu aos ferimentos graves, deixando uma filha órfã. Testemunhas relataram que o autor dos disparos fugiu do local em um veículo após cometer o crime.

Investigadores descobriram que Felipe, que havia atuado como segurança no mesmo estabelecimento e era ex-companheiro da vítima, vinha perseguindo Ana Flávia há pelo menos um mês antes do assassinato. Segundo a delegada Mayla Ferreira Hadid, da Delegacia de Defesa da Mulher de Cubatão, o homem frequentava a farmácia "quase que diariamente", comportamento que incomodava profundamente a vítima.

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Perseguição e ameaças precederam o crime

"No dia anterior aos fatos, ele teria seguido a vítima durante o horário de almoço dela e a abordado próximo ao carro dela. Naquele momento, teria proferido ameaça de morte e também desferido um tapa", explicou a delegada em depoimento. Testemunhas que preferiram não se identificar relataram que, durante seu período como segurança, Felipe aparentava ser "simpático" e "amigo" dos demais funcionários, o que contrasta brutalmente com suas ações posteriores.

Captura tardia e julgamento

Apesar de ter sido apontado como principal suspeito logo após o crime, Felipe só foi preso em fevereiro de 2024, aproximadamente dez meses depois do feminicídio. Policiais encontraram o homem escondido debaixo da cama na casa de seus pais, também localizada no bairro Vila Nova. Agora, ele responderá por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

O advogado Luan de Assis, que representa a família de Ana Flávia, informou que onze pessoas devem ser ouvidas durante o julgamento: o próprio réu, cinco testemunhas de acusação e outras cinco de defesa. "Estamos muito confiantes, principalmente por esse julgamento ser no mês em que comemoramos o Dia da Mulher, que é 8 de março. Nada melhor para honrar e lembrar o nome da Ana Flávia pela tragédia que ocorreu em sua vida através de um ato brutal realizado pelo Felipe Alves", declarou o profissional.

Processo em segredo de Justiça

Conforme apurado pela TV Tribuna, afiliada da Globo, o júri não será aberto ao público, pois o processo tramita em segredo de Justiça. A família da vítima espera que Felipe receba a pena máxima pelos crimes cometidos. O caso foi registrado como homicídio na Delegacia de Defesa da Mulher de Cubatão, que requisitou perícia técnica para comprovar as circunstâncias do crime.

A reportagem tentou contato com a defesa do réu, mas não obteve retorno até o momento da publicação. A comunidade de Cubatão acompanha com atenção o desfecho deste caso que exemplifica a violência contra mulheres no ambiente de trabalho e a importância da atuação das instituições de justiça.

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