TJ-SP decreta prisão preventiva de ex-namorado que agrediu mulher em elevador em Guarulhos
Ex-namorado preso após agredir mulher em elevador em Guarulhos

Tribunal de Justiça de São Paulo decreta prisão preventiva após agressão em elevador

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, nesta quinta-feira (19), a prisão preventiva de Ronaldo Ferreira, suspeito de agredir brutalmente sua ex-companheira dentro de um elevador em Guarulhos, na Grande São Paulo. A decisão liminar foi proferida pelo desembargador Paulo Sorci, atendendo a um pedido urgente do Ministério Público estadual.

Liberdade provisória revogada por risco à vítima

Ronaldo Ferreira havia sido preso em flagrante na terça-feira (17), mas obteve liberdade provisória após audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares como afastamento da vítima e proibição de contato. No entanto, o Ministério Público recorreu imediatamente da decisão, argumentando grave risco à integridade da ofendida.

Em sua fundamentação, o desembargador Sorci destacou que, embora a liberdade seja regra geral no processo penal, o caso apresenta excepcional gravidade e risco concreto de reiteração das agressões. O magistrado explicitou que há possibilidade real de o suspeito, se mantido em liberdade, "reiterar condutas violentas contra a vítima ou mesmo se evadir, notadamente pela repercussão do caso".

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O tribunal aceitou integralmente os argumentos ministeriais e determinou a expedição imediata de mandado de prisão. O caso ainda será submetido à análise do colegiado da 2ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP para decisão definitiva.

Vítima vive em estado de choque e medo constante

Byanca Aparecida dos Santos, de 20 anos, operadora de telemarketing, descreveu em entrevista à TV Globo como sua vida foi transformada pelo terror após a breve libertação do agressor. "Eu estou em choque, não sei o que fazer. Eles me liberaram no meu trabalho bem mais cedo quando ficaram sabendo que ele tinha sido solto. Todo mundo está em choque, com medo de acontecer algo comigo", relatou a jovem.

A vítima revelou que já vivia sob constante apreensão mesmo antes do episódio violento. "Eu ia pra casa com medo, qualquer barulhinho na rua eu já olhava pra trás morrendo de medo, já estava assustada. Quando isso aconteceu piorou mais ainda, o meu psicológico está abalado", confessou Byanca, que pede proteção divina: "Eu mesma estou pedindo muito pra Deus que não aconteça nada comigo".

Agressão motivada pelo término do relacionamento

Segundo o relato da vítima, a violência foi desencadeada por sua decisão de encerrar o relacionamento com Ronaldo Ferreira, também de 20 anos. "Ele não tem direito. Só porque eu terminei o relacionamento com ele, quis seguir minha vida. Ele seguindo a vida dele não quer deixar eu seguir a minha", afirmou com indignação.

O ataque ocorreu quando Byanca chegava ao trabalho em um prédio comercial de Guarulhos. Imagens de segurança capturam momentos de pânico: a jovem corre desesperadamente para dentro do elevador tentando escapar, mas é perseguida pelo ex-companheiro, que pula a catraca e desfere múltiplos socos contra ela.

Heroína anônima salva vítima de agressão

As agressões só cessaram graças à intervenção corajosa de uma mulher que testemunhava a cena. A desconhecida entrou no elevador e se colocou fisicamente entre o agressor e a vítima, chegando a deitar sobre Byanca para protegê-la dos golpes.

"Vocês podem ver no vídeo que teve muita gente e ninguém se intrometeu. Eu não gosto disso. Nunca que eu ia ver ela passando por aquilo e não ia ajudar. Não quis nem saber se eu ia apanhar ou não. Imagina se eu não entro dentro do elevador e ele mata ela? Aí fica por isso mesmo?", questionou a heroína anônima em entrevista.

Contexto alarmante na Grande São Paulo

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) registrou a ocorrência como violência doméstica e lesão corporal na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarulhos. Foram requisitados exames periciais ao Instituto Médico Legal (IML) para documentar as lesões da vítima e solicitadas medidas protetivas à Justiça.

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Este caso emblemático ocorre em um contexto preocupante: a Grande São Paulo registra média de 89 agressões contra mulheres diariamente, segundo dados oficiais recentes. A decisão judicial de decretar a prisão preventiva do agressor representa um importante precedente no combate à violência de gênero e na proteção efetiva das vítimas.