Estudante sofre fratura no nariz após agressão racista em escola de Dianópolis
Estudante fratura nariz após agressão racista em escola do TO

Estudante sofre fratura no nariz após agressão racista em escola de Dianópolis

Um adolescente de 12 anos sofreu uma fratura no nariz após ser agredido por um colega dentro do Colégio Estadual João D’Abreu, localizado em Dianópolis, na região sul do Tocantins. O caso, que ocorreu no dia 3 de março, expõe uma série de falhas no combate ao bullying e ao racismo no ambiente escolar.

Histórico de violência e omissão

De acordo com a família do estudante, o adolescente era alvo de ofensas racistas e bullying há aproximadamente um ano. Vinicius Moraes, irmão do jovem agredido, relatou que o colégio estava ciente da situação, mas não tomou medidas efetivas para resolver o problema. "Eu já tinha ido na escola algumas vezes para reportar sobre o racismo e o bullying que ele tava sofrendo", afirmou Vinicius.

Após a agressão física, a situação se agravou ainda mais. A coordenação da escola teria ameaçado o estudante vítima com suspensão por supostamente se envolver em uma briga, sem oferecer assistência médica imediata ou contatar as autoridades policiais. "Não chamaram ambulância, não ligaram para a polícia, não registraram a ocorrência. Fizeram pouco o caso", denunciou o irmão.

Falta de atendimento e investigação policial

O adolescente só recebeu atendimento médico após a própria família chamar uma ambulância. Nesta quarta-feira (11), ele passou por uma cirurgia em Porto Nacional para tratar da fratura nasal. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Tocantins, com a Secretaria da Segurança Pública informando que o inquérito corre em segredo de justiça por envolver menores de idade.

Vinicius Moraes destacou que as omissões por parte da instituição de ensino em casos de racismo e bullying são frequentes. "O colégio sempre se omitiu. Eu mesmo já sofri problemas dentro do Colégio de Abreu e nunca foi resolvido", comentou, revelando um padrão preocupante de negligência.

Resposta da Secretaria de Educação

A Secretaria de Estado da Educação do Tocantins (Seduc) emitiu uma nota afirmando que adotou providências imediatas após tomar conhecimento da agressão. A pasta ressaltou que repudia qualquer forma de violência, discriminação ou racismo e está oferecendo suporte psicológico, pedagógico e médico ao aluno agredido.

Entre as medidas anunciadas estão:

  • Acionamento da equipe multiprofissional para prestar assistência ao estudante
  • Orientação à unidade escolar sobre medidas institucionais cabíveis
  • Início da apuração interna do caso
  • Acompanhamento psicológico e pedagógico pela equipe multiprofissional
  • Atendimento médico com acompanhamento das equipes responsáveis

A Seduc também informou que em relação ao outro estudante envolvido na ocorrência, a escola realizou os encaminhamentos institucionais necessários, incluindo diálogo com os responsáveis e adoção de medidas pedagógicas previstas nos protocolos da rede estadual de ensino.

Projetos de prevenção e valorização da diversidade

A Secretaria reforçou que desenvolve ações permanentes de prevenção ao preconceito e à violência nas escolas estaduais. Um dos projetos mencionados é o Poder Afro, voltado à valorização da cultura afro-brasileira, ao respeito à diversidade e ao enfrentamento do racismo.

As unidades da rede estadual contam com equipes multiprofissionais que atuam no suporte aos estudantes e contribuem para a construção de um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade escolar. No entanto, o caso em Dianópolis levanta questionamentos sobre a efetividade dessas medidas na prática.

O incidente ocorrido no Colégio Estadual João D’Abreu serve como um alerta para a necessidade de políticas mais eficazes contra a violência escolar, especialmente quando envolve componentes de discriminação racial. Enquanto as investigações policiais e administrativas seguem seu curso, a família do adolescente aguarda por justiça e por mudanças concretas no ambiente educacional.