Empresária presa por agredir doméstica grávida também está grávida, diz defesa
Empresária presa por agredir doméstica grávida também está grávida

Prisão da empresária Carolina Sthela

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, presa nesta quinta-feira (7) em Teresina, no Piauí, sob suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica gestante, também está grávida, segundo alega sua defesa. A prisão foi decretada pela Justiça na noite de quarta-feira (6). A sessão de violência teria ocorrido em 17 de abril, na cidade de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, no Maranhão.

A advogada Nathaly Moraes Silva afirmou que a gestação é de um mês. Esse fato será utilizado para pedir a prisão domiciliar. "Dentro da audiência de custódia a gente vai tentar prisão domiciliar pelo fato de ela estar grávida e de ter um filho menor de 6 anos", afirmou a advogada. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) do Maranhão, ela tentava fugir no momento em que foi detida. A advogada nega e disse que ela se apresentaria em Teresina, onde tem família.

"Ela se apresentaria fora do estado porque tem recebido várias ameaças e porque é um caso que causou grande comoção. Ela ia deixar o filho com a família em Teresina, já que ela não tem família no Maranhão", afirmou. A defensora também ressaltou que Carolina não alega inocência. "Ela admite lesão corporal, mas não tortura. E nos áudios ela acaba falando coisas que ela não fez. É a postura, o comportamento dela ser assim. Ela acaba pecando muito pela língua", afirmou.

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Decisão judicial e investigação

A Justiça do Maranhão decretou, na noite de quarta-feira (6), a prisão preventiva (sem prazo) da empresária, após pedido da Polícia Civil, que classificou o episódio como grave, apontando "violência física reiterada, suposto uso de arma de fogo, agressões contra vítima gestante, intensa violência psicológica, ameaças de morte, restrição da capacidade de defesa da vítima e indícios de planejamento prévio dos crimes". A ação para prendê-la envolveu agentes do Piauí e do Maranhão.

A Justiça também acatou pedido do delegado Walter Wanderley, responsável pela investigação, para busca e apreensão domiciliar, e desbloqueio e extração de dados de aparelhos eletrônicos ligados à empresária. Na decisão, a Justiça ainda destaca que a prisão é necessária "para garantir a proteção da vítima, preservar a ordem pública e assegurar o regular andamento da investigação e do processo".

Um policial militar citado nas denúncias também foi preso em São Luís. Segundo a PM, ele responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da corporação para apuração de sua conduta e responsabilidade no caso, diz a SSP.

Entenda o caso

Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é investigada sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica de 19 anos, grávida, que trabalhava em sua casa, em Paço do Lumiar, havia 15 dias. As agressões teriam sido cometidas no dia 17, de acordo com a polícia. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.

Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem. A empregada, que não será identificada, afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão. Caída, ela diz ter protegido a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas por chute, deixando-a com diversos hematomas.

"Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou Carolina nos áudios. A investigada contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada. Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo relato da empresária.

"Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ah, gente. Nessa hora, meu Deus, a Carol dos velhos tempos voltou, assim, floresceu. Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá aqui inchada", contou a empresária nos áudios.

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A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), que comprovaram as agressões. A empresária contou nos áudios que a Polícia Militar foi até a casa dela, mas que não a levou para a delegacia porque um dos agentes a conhecia. "Sorte minha, né? E sorte dela também. Eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí, ele disse: 'Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia porque ela tá cheia de hematoma'", contou.

Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy. "Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão", afirmou o delegado.