Mulheres denunciam abusos sofridos na infância por dentista preso no Paraná
Dentista preso por abusar de crianças; vítimas falam após anos

Mulheres rompem silêncio e denunciam abusos sofridos na infância por dentista no Paraná

O dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior encontra-se preso preventivamente, suspeito de cometer estupros contra crianças e adolescentes, após seis mulheres adultas procurarem a Polícia Civil para relatar os abusos que sofreram quando eram menores de idade. A maioria das vítimas é composta por familiares do acusado, e os crimes teriam ocorrido durante reuniões da família na chácara que ele possui em Teixeira Soares, município dos Campos Gerais paranaense com aproximadamente 9,5 mil habitantes.

Corrente de denúncias quebra anos de silêncio

A primeira vítima decidiu buscar ajuda policial em outubro de 2025, ato que encorajou outras cinco mulheres a também formalizarem suas denúncias. Atualmente, as seis têm idades entre 27 e 40 anos, e todas compartilham a experiência de terem convivido com a dor em silêncio por longos períodos após os abusos ocorridos na infância e adolescência.

"Eu espero que muitas vítimas se permitam falar sobre isso, porque eu sei a sensação e quero que elas se permitam sentir o mesmo. Espero que parem de carregar esse peso que não é delas, pois falar é libertador! O silêncio não protege a vítima, ele protege o agressor", declarou uma das mulheres em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

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Outra vítima complementou, explicando que, durante muito tempo, sentiu vergonha do ocorrido, levando anos até mesmo para compreender que havia passado por uma situação de abuso sexual infantil.

Processo legal e defesa do acusado

Luis Alberto Pohlmann Júnior responde pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual. O advogado Felipe Feltrin, que atua na defesa do dentista, afirmou ter acesso ao inquérito e estar analisando os fatos, ressaltando a necessidade de uma apuração cuidadosa.

"Relatos são importantes e precisam ser levados a sério, mas o processo penal exige que esses relatos sejam analisados à luz de outros elementos de prova, especialmente quando se trata de casos que teriam ocorrido há muitos anos. A análise probatória precisa ser extremamente cuidadosa", disse o defensor, acrescentando que espera que toda a apuração ocorra com serenidade e dentro do devido processo legal.

A Polícia Civil espera finalizar o inquérito nos próximos dias. Além do processo atual, o homem já foi condenado por importunação sexual de uma paciente e é réu em outra ação pelo mesmo crime, movida por outra vítima. Atualmente, Luis mantém um consultório em Curitiba.

Conselho profissional e histórico do acusado

Em nota, o Conselho Regional de Odontologia confirmou que o dentista possui registro ativo, mas não informou se há procedimentos em andamento para investigar sua conduta, alegando sigilo sobre essas informações.

Modus operandi e confiança traída

O delegado Rafael Nunes afirma que Luis Alberto Pohlmann Júnior se aproveitava da confiança depositada nele, tanto como profissional quanto como familiar, para cometer os crimes. As investigações apontam que o homem utilizava sempre o mesmo modus operandi: buscava ficar sozinho com as vítimas ou agia de forma que outras pessoas não pudessem observar suas ações.

Entre os relatos colhidos pela RPC, uma vítima contou que foi estuprada após um convite para brincar na piscina; outra disse que o homem se aproveitou da desculpa de assistir a um filme para abusá-la por baixo de um cobertor; e uma terceira relatou que ele a fez sentar em seu colo para "mostrar um jogo".

Todas as vítimas destacaram que o acusado era muito querido e respeitado na família, tanto pelo tratamento dispensado aos adultos quanto pelo poder aquisitivo que possuía.

"Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada... Por muito tempo, achei que eu permiti [os abusos]. Porque quando você é criança, não sabe o que está acontecendo", desabafou uma das mulheres.

Importância dos depoimentos e peso do silêncio

Para o delegado Rafael Nunes, os depoimentos das vítimas foram muito claros e precisos, contribuindo significativamente para o pedido e a concessão do mandado de prisão preventiva.

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"É um silêncio muito pesado. Eu carreguei, durante anos, um peso que não era meu... por vergonha, principalmente", confessou outra vítima.

Canais de denúncia

Denúncias sobre este ou quaisquer outros casos podem ser repassadas de forma anônima no Paraná pelos seguintes canais:

  • Telefone 197, da Polícia Civil
  • Telefone 181, do Disque-Denúncia
  • Em situações de perigo imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190