Justiça condena a 36 anos homem por feminicídio e abandono de corpo na BR-040 em Minas
Condenado a 36 anos por feminicídio e abandono de corpo na BR-040

Justiça condena a 36 anos homem por feminicídio e abandono de corpo na BR-040 em Minas Gerais

Cristiano Jahel Leal, de 36 anos, foi condenado a uma pena de 36 anos e dois meses de prisão pelo assassinato da namorada Brena Moreira Franca, de 23 anos, e pelo abandono do corpo às margens da BR-040. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira, 5 de junho, perante o 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, encerrando um caso que chocou a região metropolitana da capital mineira.

Crime ocorreu em dezembro de 2024 em Esmeraldas

O feminicídio aconteceu em dezembro de 2024, no município de Esmeraldas, situado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além do crime de feminicídio, o réu foi condenado pelos delitos de ocultação de cadáver e direção sob influência de bebida alcoólica, conforme a sentença proferida pelo tribunal.

Relacionamento marcado por violência e agressões constantes

Durante o julgamento, sete testemunhas foram ouvidas e descreveram um relacionamento extremamente conturbado entre o casal. Os depoimentos revelaram uma história de violência física, psicológica e financeira, com Brena sendo constantemente agredida pelo acusado.

As testemunhas relataram que Cristiano destruía os celulares da vítima, apropriava-se de seu dinheiro e a humilhava publicamente. Além disso, o réu era usuário de drogas, o que teria influenciado Brena a consumir álcool e entorpecentes durante o relacionamento.

Episódios de coronhadas, mordidas, socos, tapas e abusos sexuais foram detalhados no júri, evidenciando a profunda dependência emocional da vítima em relação ao acusado. A violência sistemática criou um ambiente de terror que culminou no trágico desfecho.

Defesa do réu nega autoria do disparo fatal

Em sua defesa, Cristiano Jahel negou veementemente ter realizado o disparo que matou Brena. Ele alegou que a vítima teria sido atingida por uma bala perdida durante uma troca de tiros no Aglomerado da Ventosa, na Região Oeste de Belo Horizonte, enquanto ambos estavam comprando drogas.

O acusado afirmou que, após o incidente, colocou Brena no carro com a intenção de levá-la a um hospital, mas percebeu que ela já estava morta. Com medo de retaliações por parte da família da vítima, decidiu abandonar o corpo na BR-040, em Esmeraldas. Cristiano também negou ter agredido a namorada anteriormente ou destruído seus aparelhos de telefone.

Reconstituição dos fatos pelo Ministério Público

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, os eventos que antecederam o crime começaram quando Brena estava na casa da irmã, em Santa Luzia. Ela fez uma chamada de vídeo para Cristiano e, em seguida, solicitou um carro por aplicativo para ir até a residência dele no bairro Santa Maria, em Belo Horizonte.

O feminicídio foi cometido na manhã do dia 27 de dezembro de 2024. Após o assassinato, o homem colocou o corpo da companheira no interior do veículo e dirigiu até o km 501 da BR-040, onde abandonou os restos mortais no acostamento. Imediatamente após o ato, ele fugiu do local.

Fuga e captura em Governador Valadares

A denúncia detalha que, após abandonar o corpo, Cristiano dirigiu até a casa do irmão, no bairro Santa Maria, onde trocou de carro na tentativa de evitar ser localizado pelas autoridades. No entanto, sua fuga foi interrompida quando o veículo utilizado foi localizado por policiais militares na cidade de Governador Valadares.

No momento da abordagem, o homem apresentava sinais claros de embriaguez, incluindo andar cambaleante e hálito etílico. Ele foi então levado para o Presídio de Governador Valadares, onde aguardou o julgamento que resultou na condenação.

Sentença reflete gravidade dos crimes cometidos

A condenação de Cristiano Jahel Leal a 36 anos e dois meses de prisão representa um marco na luta contra a violência doméstica em Minas Gerais. O caso expôs as dinâmicas perversas de relacionamentos abusivos e a importância do sistema de justiça em responsabilizar os agressores.

A decisão judicial envia uma mensagem forte sobre a intolerância a crimes de feminicídio e a necessidade de proteção às vítimas de violência de gênero. A sociedade mineira acompanha atentamente as consequências deste julgamento, esperando que ele sirva como um alerta para prevenir futuras tragédias.