Comandante da Guarda de Vitória é assassinada por namorado PRF em feminicídio que rompe 2 anos sem casos
Comandante da Guarda de Vitória morta por namorado PRF em feminicídio

Comandante da Guarda de Vitória é assassinada por namorado PRF em feminicídio que rompe 2 anos sem casos

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (23) pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. O crime ocorreu na residência da vítima, no bairro Caratoíra, em Vitória, e interrompeu um período de quase dois anos sem registros de feminicídio na capital capixaba.

Detalhes do crime e perfil da vítima

Dayse Barbosa foi morta com cinco tiros na cabeça dentro de seu quarto. Segundo informações da família e da polícia, o agressor utilizou uma escada para invadir o imóvel durante a madrugada. Após cometer o assassinato, Diego Oliveira foi até a cozinha e tirou a própria vida.

A vítima era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal após passar em concurso público em 2012, sendo admitida em novembro de 2013. Em janeiro de 2023, foi nomeada subsecretária e comandante da corporação, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Dayse também possuía pós-graduação em Segurança Pública Municipal e deixou uma filha de oito anos, fruto de relacionamento anterior.

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Histórico de violência e término do relacionamento

O pai da vítima, Carlos Roberto Teixeira, revelou que o relacionamento entre Dayse e Diego durava aproximadamente quatro anos e era marcado por episódios de violência. "Já tirei ele de cima dela. Uma vez, flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou o pai, visivelmente abalado.

Segundo familiares, Dayse havia decidido terminar o relacionamento recentemente, decisão que não foi aceita pelo policial rodoviário federal. "Ele falou que se ela não ficasse com ele, não ia ficar com ninguém", relatou Carlos Roberto, que ainda não consegue acreditar na morte da filha.

Luto oficial e reações das autoridades

A prefeitura de Vitória decretou luto oficial de três dias pela morte da comandante. O prefeito Lorenzo Pazolini destacou a atuação da servidora e lamentou profundamente a tragédia. "É um dia que ficará marcado na memória do coração de todos, porque uma mulher guerreira, uma mulher que estabeleceu políticas públicas", afirmou Pazolini em entrevista.

O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, que descreveu Dayse como "chegava sempre feliz, disposta a ajudar", revelou que a comandante não havia compartilhado com colegas a situação de violência que vivia no relacionamento. "Infelizmente ela não falou isso para a gente para que pudéssemos tomar uma atitude e poder salvar a vida dela", lamentou.

Ativismo pelos direitos das mulheres

Ironia trágica marca o caso: Dayse Barbosa era conhecida por sua atuação na defesa dos direitos das mulheres. Em suas redes sociais, publicações feitas poucas horas antes de ser assassinada abordavam temas como igualdade salarial, de gênero e financeira.

Em postagem do Dia Internacional da Mulher (8 de março), ela escreveu: "Eu sou mulher, e é claro que meu trabalho já foi descredibilizado por isso! Eu sou mulher, e é óbvio que culturalmente eu fui ensinada a cuidar e não a liderar, mas eu lidero!"

Ao comentar a marca de mais de 600 dias sem feminicídios na capital, Dayse havia destacado: "Esse marco não é apenas um número. Ele representa vidas preservadas, mulheres protegidas e uma luta que avança todos os dias".

Velório e sepultamento

O velório da comandante aconteceu às 15h30 desta segunda-feira (23), com sepultamento às 17h no Cemitério de Santo Antônio. A cerimônia foi acompanhada por autoridades, familiares, amigos e colegas de trabalho, todos profundamente impactados pela perda.

O tio da vítima, Paulo Roberto Teixeira, desabafou sobre a tragédia: "Ela sempre era dedicada, defensora das mulheres, eu nunca imaginava que essa tragédia poderia acontecer. Nem ela foi poupada".

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Impacto na segurança pública

O presidente do sindicato dos Servidores das Guardas Civis Municipais e dos Agentes Municipais de Trânsito do Espírito Santo, Manuel Luiz Abreu, destacou que a dor da perda não se limita apenas a Vitória, mas atinge todos os profissionais de segurança pública do estado. "Todo mundo chocado, pego de surpresa. A Dayse é uma servidora valorosa, trabalhou muito para a guarda enquanto comandante", afirmou.

O caso expõe a complexidade da violência doméstica, que atinge inclusive mulheres em posições de autoridade e com atuação reconhecida no combate a esse tipo de crime. As autoridades reforçaram a importância de denunciar agressores e buscar apoio, mesmo em situações onde a vítima ocupa cargos de liderança.