Brasil registra recorde de feminicídios em 2025, com média de quatro mulheres mortas por dia
Brasil bate recorde de feminicídios em 2025 com quatro mortes diárias

Brasil atinge marca histórica de feminicídios em 2025, com quatro mortes diárias

O Brasil bateu um triste recorde em 2025, registrando o maior número de feminicídios da história, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, conforme dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. As estatísticas, divulgadas no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, acendem um alerta vermelho para a violência de gênero que assola o país, cujas vítimas vão além das mulheres mortas, atingindo famílias inteiras.

Impacto devastador nas famílias e números alarmantes em São Paulo

Em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, a tragédia do feminicídio destruiu uma família. Josiane Borges Furlaneto, de 36 anos, foi morta a facadas dentro de casa pelo ex-namorado, Augusto César Leite, há exatamente um ano. O crime obrigou o filho mais velho, Kauan Henrique de Moraes, de 22 anos, a assumir a guarda dos dois irmãos mais novos, transformando abruptamente sua vida e a de toda a família.

"Ela era o suporte de toda a nossa família, cuidava de todo mundo. Eu estou tentando colocar em prática o que ela me ensinou: ser forte. Nem sempre é fácil, às vezes fico triste, acabo me abalando, mas sigo tentando", relata Kauan, emocionado, em entrevista à TV TEM. Ele acrescenta que o criminoso não matou apenas sua mãe, mas destruiu toda a estrutura familiar, deixando avós deprimidos e uma tia dependente de medicação para conseguir dormir.

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No estado de São Paulo, os números são especialmente preocupantes: 266 mulheres foram assassinadas por homens em 2025, o maior registro em um período de sete anos. Em São José do Rio Preto, por exemplo, mais de 3 mil mulheres vítimas de violência doméstica buscaram ajuda apenas entre janeiro e agosto do ano passado, evidenciando a dimensão do problema.

Outros casos emblemáticos e a dor das famílias

Em Catanduva, também no interior paulista, Ana Paula Goulart, de 39 anos, foi morta em 6 de dezembro de 2025 pelo namorado, dentro da casa onde moravam. A mãe da vítima, Sônia de Fátima Zampieri Tonelli, desabafa: "Nunca imaginamos que isso poderia acontecer com a gente. Mas, quando acontece, é que percebemos que pode acontecer com qualquer pessoa, com qualquer família. E quando acontece, acaba com a família inteira". Ana Paula deixou cinco filhos órfãos, encontrada com ferimentos na cabeça no corredor da residência.

Juliana Borges Moreira, irmã de Josiane, é enfática ao criticar a pena do assassino: "Ele planejou e premeditou tudo nos mínimos detalhes durante meses. Deu mais de 20 facadas nela dentro de casa. Acho que ele merecia prisão perpétua, mas, como isso não existe aqui, que ele receba a pena máxima possível".

Traumas profundos e a importância do primeiro pedido de ajuda

A psicóloga Luane Natalle, coordenadora do Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), programa da Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo, explica que o feminicídio causa traumas duradouros nos familiares. "O crime de feminicídio não implica apenas na perda direta da mãe. Muitas vezes, também resulta na perda da figura paterna, já que ex-companheiros, companheiros ou pais dessas crianças costumam ser os autores da violência", detalha Luane, destacando que crianças e adolescentes se sentem desamparados mesmo quando acolhidos por parentes.

A juíza Patrícia Santos, da comarca de Urupês e responsável pelo Programa Flor de Liz, que oferece apoio às vítimas de violência, enfatiza a crucialidade do primeiro pedido de ajuda. "O Poder Judiciário só recebe o pedido de medida protetiva quando algo já aconteceu. Por isso, o primeiro pedido de socorro pode evitar que o ciclo de violência chegue ao fim trágico, que seria um feminicídio", afirma a magistrada, ressaltando que mesmo registros sem boletim de ocorrência são incluídos no programa de proteção.

Os dados de 2025 mostram que a violência contra a mulher no Brasil atingiu níveis alarmantes, exigindo ações urgentes de prevenção, proteção e punição para reverter essa triste estatística que destrói vidas e famílias todos os dias.

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