Adolescente de 12 anos é resgatada após tortura por tios em fazenda de Riolândia
Uma adolescente de 12 anos foi resgatada em situação de extrema vulnerabilidade em uma fazenda localizada no município de Riolândia, interior de São Paulo. O caso veio à tona após uma denúncia anônima recebida pelo Conselho Tutelar da cidade, que acionou imediatamente as autoridades policiais para investigar suspeitas de maus-tratos e tortura praticados pelos próprios tios da menor.
Denúncia anônima e operação de resgate
Na terça-feira (17), o Conselho Tutelar de Riolândia recebeu uma ligação anônima alertando sobre os supostos abusos sofridos pela adolescente na propriedade rural onde residia com seus tios. Inicialmente, ao chegarem ao local, os conselheiros foram informados pela tia que a menina estaria na casa da avó. No entanto, ao contactarem a avó materna, esta negou veementemente a informação, levantando ainda mais suspeitas sobre o paradeiro da vítima.
Diante da inconsistência nas versões, o Conselho Tutelar decidiu acionar a Polícia Militar para uma nova incursão à fazenda. Foi durante essa segunda visita, realizada com o apoio dos agentes da lei, que a adolescente foi finalmente localizada, escondida dentro da propriedade. A menina apresentava ferimentos visíveis pelo corpo e sinais alarmantes de desnutrição, confirmando as piores suspeitas.
Violência sistemática e estado crítico da vítima
Em entrevista exclusiva, o delegado responsável pelo caso, Alexandre Pirani, detalhou a gravidade das lesões encontradas na adolescente. "Segundo os exames realizados, a adolescente estava muito magra e em estado de desnutrição. O que mais nos chamou atenção foram as diversas lesões em diversos estágios de cicatrização", revelou o investigador. As marcas no corpo da vítima indicavam uma história prolongada de violência, com agressões que incluíam socos, chutes e até golpes com objetos contundentes, como cabos de vassoura.
Em seu depoimento à polícia, a própria adolescente confirmou que vinha sofrendo agressões físicas e humilhações por parte da tia há aproximadamente um ano. Já o tio foi considerado omisso perante a situação, não tomando qualquer atitude para proteger a sobrinha ou denunciar os abusos. A vítima foi imediatamente socorrida e encaminhada à Santa Casa local, onde recebeu atendimento médico emergencial. Após a estabilização de seu quadro de saúde, ela foi transferida para um abrigo especializado, onde receberá acompanhamento psicossocial.
Prisão temporária e investigações em andamento
O casal de tios foi preso temporariamente na noite de quinta-feira (19), sob a acusação de tortura, após o cumprimento de um mandado judicial de prisão expedido pelas autoridades. A investigação apurou que, devido ao paradeiro desconhecido da mãe biológica da adolescente, os tios detinham a guarda legal da menor, situação que foi explorada para cometer os crimes.
O delegado Alexandre Pirani adiantou que a polícia dará início a uma nova fase do inquérito, focada em ouvir outros familiares e localizar a genitora da vítima. "Os próximos passos da investigação serão ouvir a avó materna da vítima e localizar a genitora, que, segundo informações, estaria no estado do Rio de Janeiro, mas seu paradeiro ainda é desconhecido", explicou o delegado. Além disso, foi revelado que a adolescente nunca foi registrada pelo pai, o que complica ainda mais seu quadro jurídico e familiar.
Busca pelo reconhecimento de paternidade
Outro aspecto crucial que será abordado pela polícia é a identificação do pai biológico da adolescente. Após coletar depoimentos de pessoas próximas ao casal e à vítima, as autoridades informaram que pretendem auxiliar no processo de reconhecimento de paternidade. "Pretendemos localizar o possível pai biológico, tendo em vista que ainda não foi reconhecida a paternidade da adolescente", finalizou o delegado, destacando a importância de garantir os direitos fundamentais da menor.
O caso, que chocou a comunidade de Riolândia e região, segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para elucidar todos os detalhes dessa trama de violência e negligência familiar. As autoridades reforçam a importância de denúncias anônimas para combater situações de abuso e maus-tratos contra crianças e adolescentes.



