Violência sexual atinge quase uma em cada quatro adolescentes em Minas Gerais
Um levantamento preocupante realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 23,2% das meninas de 13 a 17 anos em Minas Gerais afirmam já ter sofrido algum tipo de violência corporal sem consentimento, incluindo assédio sexual. O número equivale a quase uma em cada quatro adolescentes no estado, expondo uma realidade alarmante que demanda atenção urgente das autoridades e da sociedade.
Dados nacionais e estaduais mostram cenário crítico
As informações fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação. O estudo ouviu estudantes de todo o Brasil para investigar temas ligados à saúde e ao comportamento de jovens, trazendo à tona números que chocam pela magnitude.
Em Minas Gerais, os dados são ainda mais graves quando analisados em detalhe:
- 18,5% dos estudantes mineiros disseram já ter sofrido algum tipo de assédio sexual ao longo da vida.
- O índice entre meninas é mais que o dobro do registrado entre meninos, que ficou em 9,6%.
- 7,5% dos estudantes de MG afirmaram ter sido forçados a manter relação sexual, com percentual de 10% entre as meninas e 5% entre os meninos.
Agressores são pessoas próximas e vítimas são jovens
Um aspecto particularmente perturbador do estudo é que, na maior parte dos casos, os agressores são pessoas próximas das vítimas, como familiares ou conhecidos do convívio diário. Essa proximidade dificulta a denúncia e prolonga o sofrimento das adolescentes, criando ciclos de violência que muitas vezes permanecem ocultos.
Em nível nacional, os números também são assustadores: 1,1 milhão de adolescentes em todo o país relataram ter sido forçados a ter relação sexual. A maioria das vítimas (66%) tinha 13 anos ou menos quando foi violentada, destacando a vulnerabilidade extrema de crianças e jovens.
Especialistas reforçam importância da denúncia precoce
Diante dos números alarmantes, especialistas em violência sexual e proteção à infância reforçam a importância de denúncias precoces para interromper ciclos de violência. A identificação e o combate a esses casos são fundamentais para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores.
Casos de violência sexual podem ser comunicados de forma anônima pelos seguintes canais:
- Disque 100 – Direitos Humanos
- Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Denúncia anônima
- Conselho Tutelar – Proteção à criança e ao adolescente
A pesquisa do IBGE serve como um alerta contundente para a necessidade de políticas públicas mais eficazes, campanhas de conscientização e apoio psicológico às vítimas. A violência sexual contra adolescentes é uma chaga social que exige ação imediata e coordenada de todos os setores da sociedade.



