Violência doméstica cresce 17% em Piracicaba; 13 mil casos no 1º trimestre de 2026
Violência doméstica cresce 17% em Piracicaba no 1º trimestre

As regiões de Piracicaba e Campinas registraram 13 mil casos de violência doméstica no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-9). O número representa um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 4.625 notificações. A maioria das ocorrências ocorreu em março, mês internacional da mulher.

Análise da delegada

A delegada Olívia Fonseca, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, analisa o cenário e aponta que a violência vai além da física. Ela orienta sobre a importância de denunciar. 'Silêncio mata', alertou. A delegada ressalta que, antes, considerava-se violência apenas o que deixava marca na pele. 'Hoje, com as campanhas de conscientização, mostramos que a violência começa muito antes da agressão física, no abuso psicológico, na humilhação e no comportamento vexatório', detalhou.

Importância da denúncia

Olívia lembra que denunciar é fundamental para sair do ciclo de violência. 'Tem que procurar a delegacia, denunciar. Se não quiser, pode ligar no 180 ou fazer via DDM online. O que interessa é comunicar essa violência'.

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Perfil das vítimas e agressores

Mulheres pardas são a maioria das vítimas, com idade entre 21 e 45 anos. A faixa etária de 26 a 30 anos teve 2.086 ocorrências. A relação entre vítimas e agressores inclui parentes, amigos e conhecidos. A maioria dos agressores tem ou teve relacionamento amoroso com as vítimas. A ameaça foi a violência mais relatada (4 mil casos), seguida por calúnia, difamação ou injúria (quase 3 mil), lesão corporal dolosa (quase 2.600), perseguições (1.500), danos (457) e descumprimento de medida protetiva (433).

Caso emblemático

Lucia Simões Batista, moradora de Nova Odessa, foi vítima de violência doméstica por várias vezes. Ela namorava o agressor e a primeira lesão ocorreu no sexto ano de relacionamento. 'Foi soco no olho, puxando o cabelo e soco nos locais do meu corpo', relatou. Em três anos, foram nove boletins de ocorrência por ameaça, calúnia e agressão física. Em julho de 2025, conseguiu uma medida protetiva contra o ex, que está solto.

Sobrecarga na DDM

A DDM de Piracicaba registrou 1,1 mil pedidos de medida protetiva em 2025, três por dia. A delegada Olívia admite sobrecarga. 'Imaginem: 1,1 mil pedidos de medida, fora pedidos de prisão, preventiva, busca e apreensão, crimes sexuais. É uma unidade sobrecarregada, que precisa de atenção', disse. Segundo o TJ-SP, 953 medidas foram concedidas em Piracicaba, alta de 22,5% em relação a 2024.

Pacto Nacional Contra o Feminicídio

O Pacto Nacional contra o Feminicídio foi assinado com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O documento cobra celeridade nos processos de violência contra mulheres e reforça medidas como funcionamento contínuo das delegacias especializadas, ampliação de políticas municipais e uso do Ligue 180.

Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba.

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