Coren-SP revela: quase 300 enfermeiras sofrem violência no trabalho no interior paulista
Quase 300 enfermeiras sofrem violência no interior de SP

Violência atinge profissionais de enfermagem no interior paulista

Um levantamento interno realizado pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) em 2025 trouxe à tona uma realidade alarmante: quase 300 mulheres que atuam como auxiliares, técnicas e enfermeiras foram vítimas de violência no ambiente de trabalho em cidades do interior do estado. Os dados, obtidos pela TV TEM e pelo g1, referem-se a regiões como Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Bauru, Itapetininga e Sorocaba, revelando um problema estrutural que afeta diretamente a categoria.

Dados regionais expõem gravidade da situação

O estudo do Coren-SP apontou que, em todo o estado, mais de 80% dos profissionais de enfermagem já sofreram algum tipo de violência, refletindo a vulnerabilidade de uma categoria composta majoritariamente por mulheres. No interior, os casos mais recorrentes envolvem violência física e verbal, com números significativos em diversas cidades:

  • Sorocaba: 81 profissionais vítimas
  • São José do Rio Preto: 57 profissionais
  • Bauru: 50 profissionais
  • Botucatu: 43 profissionais
  • Marília: 27 profissionais
  • Presidente Prudente: 15 profissionais
  • Itapetininga: 11 profissionais
  • Dracena: 8 profissionais
  • Adamantina: 6 profissionais
  • Bastos: 2 profissionais
  • Presidente Venceslau: 1 profissional

Paradoxo da profissão: cuidar e ser vítima

Um aspecto preocupante destacado pelo levantamento é que a equipe de enfermagem, que está na linha de frente no atendimento a pacientes vítimas de violência, oferecendo apoio e cuidado, acaba se tornando alvo dessas mesmas agressões. Essa exposição constante em ambientes de saúde, combinada com fatores como carga horária extensa e estresse, cria um cenário propício para a ocorrência de abusos.

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Poder público mobilizado para enfrentar o problema

Diante do aumento e da repercussão de casos de violência física, psicológica, moral e até feminicídio, a Câmara Municipal de Presidente Prudente realizou, na última quinta-feira (26), uma reunião pública em parceria com o Coren-SP. O objetivo foi discutir estratégias de enfrentamento, com foco em prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

O encontro, que integrou a campanha do conselho voltada à prevenção e combate à violência, debateu a necessidade de ações coordenadas e contínuas por parte do poder público. Entre os temas abordados estiveram a conscientização, o atendimento humanizado e a integração dos serviços disponíveis para atender vítimas, visando criar um ambiente mais seguro para as profissionais de saúde.

A situação exposta pelo Coren-SP reforça a urgência de políticas públicas eficazes que garantam a segurança e o bem-estar das trabalhadoras da enfermagem, essenciais para o sistema de saúde paulista.

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