Um agente do Departamento de Trânsito do Pará (Detran) foi agredido fisicamente durante uma ação de fiscalização na noite de sexta-feira, 9 de fevereiro, em Santarém, no oeste do estado. O profissional, que utiliza cadeira de rodas, precisou ser atendido no Pronto Socorro Municipal (PSM) após o incidente.
Detalhes do confronto durante a fiscalização
O caso ocorreu na Avenida Fernando Guilhon. De acordo com a fiscalização, o veículo do condutor, identificado como Francicley Pinheiro, foi apreendido por estar com o licenciamento em atraso, embora o IPVA estivesse quitado. A situação, no entanto, escalou para um desentendimento que terminou em violência.
O agente do Detran sofreu ferimentos na cabeça e nas mãos, além de relatar dores nas costelas. Em razão dos machucados, ele foi submetido a exame de corpo de delito. O condutor foi detido no local e, em seguida, apresentado na 16ª Seccional Urbana da Polícia Civil em Santarém.
Versões conflitantes e investigação com câmeras
Em declaração à imprensa na delegacia, Francicley Pinheiro afirmou que reagiu a uma abordagem que considerou "truculenta". Ele alegou que seu carro já estava apreendido e que foi humilhado na frente da esposa e do filho. "Foi covardia. Eu fui agredido fisicamente por três agentes. Pisaram na minha cabeça na frente do meu filho e da minha esposa", disse o condutor, mencionando uma taxa atrasada de pouco mais de 200 reais que, segundo ele, poderia ter sido resolvida no momento.
Por outro lado, o chefe de fiscalização do Detran em Santarém, Marlon Azevedo, que foi à delegacia pedir providências, negou veementemente a versão do condutor. Azevedo garantiu que todos os agentes envolvidos estavam equipados com câmeras corporais e que as imagens já foram analisadas. "Nós já vimos que eles não agrediram ninguém. Eles fizeram o trabalho deles", afirmou, ressaltando que o motivo da apreensão foi exclusivamente a irregularidade no licenciamento do veículo.
Repúdio formal e apelo por respeito aos agentes
O caso gerou forte reação por parte das autoridades de trânsito. Marlon Azevedo classificou o fato como "inusitado" e expressou seu repúdio. "Constantemente, diariamente, os agentes estão na rua para controlar o trânsito e para evitar que tenha mais mortes. Fica aqui o meu apelo para que os condutores entendam o trabalho dos agentes", declarou.
O secretário municipal de Mobilidade e Trânsito de Santarém, Marcelino Xavier, também emitiu uma nota oficial repudiando a agressão. Na nota, ele descreveu o ato como "grave, criminoso e absolutamente inaceitável", reforçando que nenhum agente público pode ser atacado por cumprir a lei. Xavier solidarizou-se com o agente agredido e defendeu que a justiça seja aplicada com rigor.
As imagens das câmeras corporais devem servir como prova fundamental para a investigação policial, que apurará de quem partiu a agressão e definirá as responsabilidades legais pelo ocorrido.