O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou nesta quarta-feira (20) que o Brasil enfrenta um grave problema de segurança pública porque quem 'toma as decisões' são 'antropólogos, assistentes sociais, sociólogos, pessoas que nunca estiveram num tiroteio'. A declaração foi feita durante a XXVII Marcha dos Prefeitos, promovida pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em Brasília.
Críticas aos profissionais de segurança
Zema destacou que o assunto da segurança pública deveria ser tratado exclusivamente por quem lida diretamente com criminosos. 'O problema aqui no Brasil é que muitas vezes [quem] está tomando decisões, nada contra, [são] antropólogos, assistentes sociais, sociólogos, pessoas que nunca tiveram num tiroteio, frente a frente com a bandidagem', disse. Ele ainda comparou a situação com a medicina: 'Na minha opinião, assunto de bandido é pra quem lida com bandido. É igual médico, ninguém aqui vai opinar em medicina'.
Audiências de custódia sob ataque
O pré-candidato também criticou o sistema de audiências de custódia, instituído em 2015, que permite a um juiz plantonista liberar suspeitos presos em flagrante para aguardar o julgamento em liberdade. 'Nós temos no Brasil hoje um sistema que incentiva a criminalidade e precisamos mudar isso', afirmou, defendendo que a medida contribui para o aumento da violência.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Zema voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em um áudio vazado, Flávio pede ajuda financeira ao banqueiro. 'Eu fiquei decepcionado. As explicações pra mim não foram convincentes e precisamos tê-las. E o Brasil precisa de um presidente, que para fazer as mudanças necessárias, precisa ter credibilidade', disse. O pré-candidato classificou Vorcaro como 'banqueiro bandido' e afirmou que ele não teria acesso a sua equipe. 'Na minha porta ele nem pediu audiência e nem pediu reunião', acrescentou.
Apoio contra o PT
Apesar das críticas a Flávio Bolsonaro, Zema afirmou que, em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiaria qualquer candidato de oposição ao PT. 'Depois que eu vi o que o PT fez em Minas, que eu senti, eu vou ficar o resto da vida apoiando quem estiver contra o PT, qualquer um que seja', finalizou.
Trabalho infantil
Zema também foi questionado sobre suas declarações a respeito do trabalho infantil, feitas no podcast 'Inteligência Ltda' no Dia do Trabalhador. Ele defendeu mudanças na legislação que vincula o trabalho de adolescentes a partir de 14 anos ao programa Jovem Aprendiz, argumentando que o programa não beneficia jovens de pequenos municípios. 'Um jovem que nasceu numa cidade de 5, de 10, de 20, de 30 mil habitantes, que é a grande maioria de Minas Gerais e também do Brasil, esquece que ele não vai ser Jovem Aprendiz nunca, porque ele não vai ter acesso a esse tipo de contrato', afirmou. O pré-candidato ainda elogiou aqueles que começaram a trabalhar cedo, dizendo que 'os melhores profissionais que eu conheci são profissionais que começaram cedo a exercer alguma atividade, porque se aprende a ter disciplina, a ter mais hierarquia, a respeitar o chefe, a ver o ambiente de trabalho como realmente é'.



