Policiais de Santarém recebem formação especial para atendimento a pessoas com autismo
Em uma iniciativa pioneira na região oeste do Pará, policiais militares de Santarém participaram de uma formação especializada sobre como atuar em ocorrências envolvendo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O treinamento foi organizado pelo Comando de Policiamento Regional 1 (CPR-1) e contou com a participação de representantes da sociedade civil, visando preparar os agentes para abordagens mais seguras e humanizadas.
Capacitação focada na prevenção e sensibilidade
A capitã Graciete Queiroz, uma das organizadoras do evento, explicou que a capacitação reforça o trabalho preventivo já desenvolvido pela corporação, especialmente no ambiente escolar. "A Polícia Militar atua na parte preventiva, com os projetos sociais, atua também no programa Escola Segura, então nós estamos nesse ambiente escolar", afirmou a oficial, destacando que o tema exige sensibilidade e preparo específico dos profissionais de segurança.
O sargento Glauber Mota, coordenador do Policiamento Comunitário Escolar, ressaltou que a formação abordou situações práticas do dia a dia policial. "Durante uma abordagem policial, o que fazer quando uma criança ou adolescente com autismo está envolvido? Tudo isso está somando forças", declarou o militar, enfatizando que o trabalho se estende para além da sede do município, alcançando também Belterra e Mojuí dos Campos.
Conhecimento científico aplicado à segurança pública
Durante o encontro, foram apresentadas informações detalhadas sobre características do espectro autista, incluindo reações a estímulos sonoros, contato físico e abordagens diretas. O médico especialista em TEA, Matheus Porto, explicou que a sensibilidade sensorial é um dos critérios do transtorno e pode influenciar significativamente o comportamento durante uma ocorrência policial.
"Há ruídos, há o tato, há barulho. Algumas condições comuns na abordagem policial, como a sirene ou o tato excessivo, podem desencadear uma crise. Se o agente não tem esse conhecimento, não tem como saber disso", alertou o especialista, sublinhando a importância do preparo técnico dos policiais.
O psicólogo Ícaro Pessoa defendeu que empatia e ciência devem caminhar juntas nas abordagens policiais. "É necessário compreender e, através do conhecimento científico, possibilitar que qualquer tipo de abordagem seja feita com segurança e aplicação correta à sociedade", declarou o profissional.
Proteção legal e impacto social
A presidente do Teas do Tapajós, Cibelle Diniz, lembrou que pessoas com autismo têm direitos garantidos por lei, destacando que a legislação federal ampliou significativamente essa proteção. "O autista possui todos os direitos civis que qualquer cidadão tem. A partir da Lei Berenice Piana, ele passou a ser equiparado à pessoa com deficiência para todos os efeitos legais", afirmou a representante da sociedade civil.
O coronel Wagner Almeida destacou que a capacitação fortalece a atuação policial e traz segurança às famílias. "Essa capacitação vai favorecer e validar a atuação do nosso policial. As famílias podem ter a certeza de que a Polícia Militar vai saber lidar, se caso necessite de uma atuação", afirmou o oficial superior.
Realidade nacional e importância do preparo
Segundo o último censo brasileiro, o país possui aproximadamente 2,4 milhões de pessoas com autismo, o que reforça a importância de que agentes de segurança pública estejam preparados para agir com conhecimento, respeito e responsabilidade diante dessa realidade cada vez mais presente na sociedade.
A formação em Santarém representa um avanço significativo na preparação policial para situações que exigem abordagens diferenciadas, combinando conhecimento técnico sobre o transtorno com práticas humanizadas de segurança pública. A iniciativa demonstra o compromisso da corporação em adaptar seus procedimentos às necessidades específicas de todos os cidadãos, garantindo atendimento adequado e respeitoso em situações que envolvam pessoas com Transtorno do Espectro Autista.