A força-tarefa composta pela Polícia Penal e pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte recapturou, na manhã desta quinta-feira (21), mais um dos cinco detentos que escaparam da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, no dia 2 de maio. O preso recapturado foi identificado como Jefferson Cleyton Lima da Silva, de 25 anos. Ele estava escondido em um sítio no município de Japi, situado a aproximadamente 139 quilômetros de Natal.
Esta é a segunda ação bem-sucedida nas últimas 12 horas dentro da operação montada para capturar os cinco fugitivos. Na tarde de quarta-feira (20), Pedro Gabriel da Silva, de 20 anos, foi recapturado. Ele foi encontrado no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal, onde estava escondido na casa de parentes.
Ainda permanecem foragidos os outros três detentos: Carlos Soares Alves da Silva, Maycon Dias Mora e Rodrigo da Silva Nascimento. As autoridades seguem em diligências para localizá-los.
Operação de recaptura
Participaram da operação que resultou na recaptura de Jefferson Cleyton policiais da Central de Monitoramento Eletrônico (CEME), do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque). A ação integrada demonstra a eficiência das forças de segurança na busca pelos foragidos.
Detalhes da fuga
Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) registraram a movimentação dos cinco presos durante a fuga, ocorrida na madrugada de sábado (2). Os detentos escaparam entre 0h e 1h, mas a fuga só foi descoberta pela manhã, durante a contagem dos apenados nas celas. As câmeras de monitoramento mostraram os presos já do lado de fora do pavilhão 1 da penitenciária. Chovia forte na região no momento da evasão.
Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de ventilação para fugir da cela, atravessaram um muro interno e, em seguida, usaram uma corda improvisada com lençóis, conhecida como "teresa", para pular o muro principal, de mais de 5 metros de altura, da penitenciária.
Uma semana antes, dois presos haviam tentado fugir pelo sistema de ventilação de uma cela no presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica ao lado de Alcaçuz. Na ocasião, policiais penais de plantão e da Central de Rádio e Videomonitoramento impediram a fuga.
Reações das autoridades
O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga dos cinco presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz foi uma "surpresa" para o sistema prisional. Segundo a Seap, a unidade não registrava fugas havia quase cinco anos. O presídio Rogério Madruga Coutinho, que fica ao lado, registrou uma fuga em 2024. "Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente", disse o secretário.
Dois memorandos — de 2 de abril e 20 de março — enviados pela direção da Penitenciária de Alcaçuz pediram à Seap a manutenção de câmeras de monitoramento dos pavilhões 1, onde ocorreu a fuga, e 4. Segundo o secretário, apesar do problema, não há áreas sem cobertura na penitenciária. "Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento", completou.
A presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, acredita que o fato de as 10 guaritas de Alcaçuz estarem desativadas também pode ter contribuído para a não detecção da fuga. "Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualizações. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas", disse.
Histórico de Alcaçuz
A Penitenciária de Alcaçuz foi palco da maior rebelião da história do Rio Grande do Norte, em 2017. No total, 26 presos morreram, quase todos decapitados, e outros 56 fugiram. O episódio ficou conhecido como "Massacre de Alcaçuz". Criada em 1998, a penitenciária seria a solução para acabar com os problemas gerados pela Penitenciária Central Doutor João Chaves, conhecida por "Caldeirão do Diabo", na Zona Norte de Natal.



