Torcedor que jogou cabeça de porco é preso por suspeita de estupro em SP
Preso torcedor que arremessou cabeça de porco; suspeita de estupro

O influenciador digital e torcedor corintiano Osni Fernando Luiz, conhecido como "Cicatriz", foi preso em flagrante no último domingo (3) por suspeita de estupro na Zona Norte de São Paulo. A vítima é uma garota de programa. Na segunda-feira (4), após audiência de custódia, a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.

Osni, de 37 anos, ficou nacionalmente famoso em 2024 ao arremessar uma cabeça de porco no gramado do estádio do Corinthians durante um jogo contra o Palmeiras. Nas redes sociais, ele acumula mais de 65 mil seguidores no Instagram, onde se descreve como "um corinthiano apaixonado pelo seu clube" e "contra o futebol moderno". A defesa de Osni foi procurada pelo g1 e informou nesta terça-feira (5) que o cliente é inocente das acusações.

Detalhes da prisão

Segundo a Polícia Militar, os policiais foram acionados para atender a uma ocorrência na Rua Conselheiro Saraiva, no bairro de Santana. No local, encontraram a mulher chorando, que relatou ter sido violentada sexualmente. Ela informou que é garota de programa e disse que foi abordada por Osni, que dirigia uma BMW.

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De acordo com o registro policial, os dois combinaram um programa sexual por R$ 150. Osni afirmou ter feito o pagamento antecipado por Pix, o que, segundo a vítima, não ocorreu. Durante o trajeto, ela sugeriu que fossem para um hotel, mas ele recusou. Ainda conforme o relato, Osni passou a apresentar comportamento agressivo, puxou a mulher pelos cabelos e tentou beijá-la à força, mesmo diante da recusa dela.

Sem saber para onde estava sendo levada, a vítima questionou o suspeito, que parou o carro. Ela tentou sair do veículo e se ofereceu para devolver qualquer valor, mas foi impedida. A mulher afirmou que Osni trancou as portas, disse ser "bandido" e passou a ameaçá-la para fazer o "serviço completo". Diante da recusa, segundo o boletim, ele teria cometido o estupro dentro do carro e depois a deixado ferida na rua.

A vítima apresentava sangramento na região íntima e precisou ser levada ao Hospital da Mulher para atendimento médico. Osni foi localizado pouco tempo depois em sua residência, a partir da placa do carro fotografada pela vítima, e acabou preso em flagrante. Ao ser interrogado, segundo a polícia, ele optou por permanecer em silêncio. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher (DDM). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que exames foram requisitados para a vítima e que detalhes do caso serão preservados por se tratar de crime sexual.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados Marcello Primo, Damilon de Oliveira e Renato Soares afirmaram que não houve estupro. Segundo eles, Osni teria contratado um programa sexual e pagou pelo serviço. "Nosso cliente nega a prática do crime. Na data de ontem [segunda-feira], em audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. Nos socorreremos das medidas legais cabíveis visando a soltura de Osni Luiz, a fim de que responda a futura ação em liberdade. Por fim, durante o processo criminal, sua inocência será devidamente demonstrada e provada", informa o comunicado. De acordo com a defesa, Osni ainda teria pago em dobro pelo programa após ser levado à delegacia. O carro onde ocorreu a relação sexual não foi apreendido.

Antecedentes: caso da cabeça de porco

Em 2025, Osni foi condenado pela Justiça a um ano de prisão em regime semiaberto por "crime contra a paz no esporte", após confessar que arremessou uma cabeça de porco no gramado da Neo Química Arena, durante o Dérbi entre Corinthians e Palmeiras, em 4 de novembro de 2024. Ele recorre da sentença em liberdade. O episódio ocorreu durante um jogo da 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Câmeras registraram o objeto sendo lançado em campo por volta dos 28 minutos do primeiro tempo. O porco é um dos mascotes do Palmeiras.

Horas antes da partida, Osni publicou vídeos nas redes sociais mostrando a compra da cabeça do animal e provocando o rival. Em um deles, afirmou: "Se for para mexer com o psicológico de vocês, nós vamos mexer. Aqui é Corinthians". À polícia, ele admitiu inicialmente ter jogado a cabeça no estádio, embalada em uma sacola. Posteriormente, mudou a versão e disse que havia comprado o objeto num mercado apenas para tirar uma foto e assá-lo antes do jogo, alegando não se lembrar dos vídeos publicados.

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Proibido de ver jogos

Ainda em 2025, Osni foi proibido pela Justiça de frequentar jogos do Corinthians após ser acusado de jogar outra cabeça de porco, dessa vez em frente ao Allianz Parque, estádio do Palmeiras, pouco antes de um clássico pelo Campeonato Paulista. O objeto foi encontrado em 6 de fevereiro, e uma foto do animal morto havia sido postada numa rede social com o apelido de Osni: "Cicatriz". Agora, o torcedor volta a ser investigado, desta vez por um crime de estupro, que segue sob apuração da Polícia Civil.