Um homem que ficou preso por 43 dias injustamente durante as investigações do assassinato de Marley Gomes de Almeida e de sua neta Ana Carolina Almeida, em Jataizinho, no norte do Paraná, está processando o Estado do Paraná. A ação, movida pelo advogado de Reginaldo Aparecido dos Santos, solicita uma indenização de R$ 500 mil como forma de reparar os danos morais sofridos.
Detalhes do caso
O crime ocorreu em 22 de março de 2025. Reginaldo foi detido quatro dias depois, supostamente flagrado por uma câmera de segurança passando próximo à casa das vítimas no dia do crime. Ele permaneceu na cadeia até 9 de maio, dois dias após João Vitor Rodrigues confessar ser o verdadeiro autor do duplo homicídio.
Antes da prisão, Reginaldo foi espancado por moradores e teve sua casa invadida. A defesa alega que ele foi vítima de violência física, moral, institucional e existencial, necessitando de reparação.
“As autoridades locais, mesmo diante da fragilidade das investigações, se manifestaram publicamente de forma convicta, tratando o Requerente como culpado, reforçando uma narrativa que jamais encontrou respaldo na realidade dos fatos. Tal postura, somada à ampla divulgação de sua imagem na imprensa regional, contribuiu para consolidar sua condenação social antecipada, situação ainda mais devastadora em uma cidade de pequeno porte, onde o olhar acusador dos vizinhos e o estigma da falsa imputação permanecem como feridas abertas até hoje”, argumentou a defesa na ação.
Estado atual de Reginaldo
O advogado informou que Reginaldo vive atualmente em moradia provisória, não possui recursos financeiros e está com a saúde fragilizada. Por isso, considera que o valor pedido como indenização por danos morais é “justo e adequado à gravidade do caso”.
Em nota, o Governo do Paraná afirmou que ainda não foi notificado oficialmente sobre o pedido. “A Procuradoria-Geral do Estado informa que o Governo do Estado não foi citado judicialmente e, portanto, não tem conhecimento formal sobre o pedido de indenização. A prisão foi feita no âmbito da investigação. Ele foi liberado assim que o autor confessou o crime.”
Violência e falta de medicamentos
Antes de ser preso, Reginaldo foi espancado por moradores após as imagens da câmera de segurança circularem nas redes sociais. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ele disse: “Destruíram [a casa]. Acabou a minha vida. Peguei até trauma daquele lugar. Estou até com medo da ‘turma’ chegar e bater em mim, lá.” Ele também afirmou ter sido agredido por policiais quando foi levado para exames médicos: “Falava que era inocente e aí que eles batiam mais.”
A prisão temporária foi prorrogada sob a justificativa de “garantir a regularidade na coleta de provas e para preservar sua integridade física, diante da grande repercussão do caso e da intensa comoção pública”, segundo nota da polícia. A defesa alega que a Polícia Penal do Paraná não forneceu o medicamento para o tratamento contínuo de cirrose hepática, agravando seu quadro de saúde.
Relembre o crime
Segundo a Polícia Militar, avó e neta foram encontradas mortas dentro de casa pelo filho de Marley, quando ele foi visitá-la. Elas estavam deitadas na cama com sinais de violência, com lenços amarrados no pescoço e cobertas por um edredom. Um pedido de desculpas escrito com sangue estava na parede: “Deculpa mae”.
Em 31 de janeiro de 2026, João Vitor foi condenado a 60 anos de prisão pelo duplo homicídio. Em depoimento, disse que cometeu o crime com medo de ser reconhecido após roubar R$ 100 da bolsa da vítima. O Tribunal de Justiça do Paraná o condenou por duplo latrocínio e fraude processual. Ele está preso desde maio de 2025, quando confessou o crime à mãe, que o denunciou à polícia.



