Um homem de 55 anos, natural de Natal, no Rio Grande do Norte, foi solto nesta quarta-feira (20) após uma nova decisão judicial da Justiça de São Paulo. Cícero Silva de Araújo estava preso desde o dia 6 de maio, acusado de tentativa de homicídio ocorrida em 1996, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. A família e a defesa sustentam que o verdadeiro autor do crime é o irmão dele, que já teria confessado o delito e permanece em liberdade.
Família comemora soltura
A filha de Cícero, Joyce Oliveira, expressou alívio e alegria com o retorno do pai. "Sempre soubemos da inocência do meu pai. Nossa aflição maior era em relação ao tempo que ele poderia permanecer preso injustamente. Depois de treze dias vivendo esse pesadelo, da morosidade do sistema prisional de SP e daqui do RN, poder vê-lo retornar para casa e sendo recebido por todos que o amam foi de uma alegria imensa. Foi a certeza de que esse pesadelo passou e o quanto é querido e amado por todos nós", declarou Joyce. Ela acrescentou: "Mainha e painho dormem e acordam juntos há 30 anos, nós, os sete irmãos, não conhecemos uma vida sem ele. Iremos demorar um pouquinho para voltar à normalidade e superar esse trauma, mas temos certeza do amor que nos une e que iremos juntos conseguir".
Prisão por engano
Segundo os familiares, Cícero trabalhou por mais de 30 anos como auxiliar de serviços gerais no mesmo local e reside desde a infância no bairro Bom Pastor, na Zona Oeste de Natal. A família afirma que ele nunca saiu do Nordeste e não possui antecedentes criminais. A prisão ocorreu após o cumprimento de um mandado expedido pela Justiça de São Paulo. "Meu pai nunca foi em São Paulo na vida dele. Ele mora no mesmo endereço desde que nasceu, sempre trabalhou aqui e criou sete filhos. Mesmo assim, está preso por um crime que não cometeu", afirmou Joyce.
Documentos comprovam inocência
De acordo com a defesa, documentos, fotografias e registros de trabalho foram apresentados para comprovar que Cícero estava no Rio Grande do Norte na época do crime. A advogada da família, Débora Gurgel, explicou que o irmão de Cícero usava os documentos dele em São Paulo nos anos 1990. "Assim que ele percebeu que havia perdido os documentos, registrou boletim de ocorrência e tirou novos documentos. Mas o irmão continuou usando a identidade dele em São Paulo, inclusive para trabalhar", afirmou a advogada. Anos atrás, Cícero já havia sido chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso e conseguiu comprovar que não era o autor do crime. No entanto, a prisão foi decretada novamente neste ano. "O verdadeiro autor confessou o crime espontaneamente e está em liberdade", disse a defesa.
Saúde debilitada
A família informou que Cícero é pessoa com deficiência, passou recentemente por uma cirurgia nas pernas e necessita de medicamentos e fisioterapia. O Tribunal de Justiça de São Paulo foi procurado pela Inter TV Cabugi, mas não respondeu aos questionamentos até a atualização mais recente desta reportagem.



