O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) denunciou três pessoas acusadas de participação no roubo e na morte da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, ocorrido em Florianópolis. A denúncia foi apresentada na tarde de ontem e aguarda análise da Justiça.
Detalhes da denúncia
Segundo o MP-SC, um homem e duas mulheres, que residiam no mesmo condomínio que a vítima, foram apontados como executores do crime. Eles são acusados de roubo qualificado pelo resultado de morte (latrocínio), ocultação de cadáver e corrupção de menor. A acusação afirma que o grupo, que incluía uma empresária, agiu em conjunto e dividiu tarefas durante a ação criminosa.
De acordo com o Ministério Público, uma das denunciadas teria preparado e administrado substâncias sedativas à vítima para reduzir a chance de reação, enquanto a empresária, que tinha acesso ao imóvel, teria provocado as lesões que levaram à morte. Após o homicídio, os suspeitos levaram bens e usaram dados pessoais da vítima para obter vantagens, incluindo o carro de Luciani, cartões bancários e informações pessoais utilizadas em compras.
Esquartejamento e descarte do corpo
A denúncia também aponta que o corpo foi esquartejado e descartado, com o envolvimento de um adolescente. O homem do grupo teria esquartejado o cadáver com apoio logístico das duas mulheres. Em seguida, eles transportaram e descartaram os restos mortais em locais diferentes. O tronco da vítima foi encontrado em 9 de março em Major Gercino, com sinais de esquartejamento, e as mãos foram achadas em um rio na mesma cidade no dia 17.
Investigação policial
A Polícia Civil foi comunicada sobre o desaparecimento da corretora em 10 de março. A investigação, conduzida pela Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC, identificou compras feitas com dados e pagamentos da vítima, levando à localização de um adolescente retirando mercadorias compradas com as informações dela. A polícia também identificou o irmão do adolescente, de 27 anos, e a companheira dele, de 30 anos, como moradores de um apartamento vizinho.
O homem estava foragido do Estado de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022 em Laranjal Paulista. Outra suspeita indiciada pelo MP é a administradora do residencial, de 47 anos, que teria ligação com o casal e se beneficiado das compras. A polícia encontrou pertences da vítima e mercadorias escondidos em um apartamento desocupado sob responsabilidade da mulher, que foi presa em flagrante. O casal foi preso em Gravataí (RS) após tentar fugir para o Rio Grande do Sul.
Descoberta do crime pela família
Luciani Estivalet foi assassinada entre 4 e 5 de março dentro de seu apartamento na praia do Santinho, em Florianópolis. Mensagens suspeitas enviadas pelo WhatsApp da vítima após sua morte ajudaram a família a descobrir o desaparecimento. A irmã, Mônica Estivalet, que mora no Rio Grande do Sul, notou em 6 de março que Luciani usava elementos incomuns nas conversas e dizia estar "muito ocupada com contratos" para responder, além de não enviar áudios ou atender chamadas.
Em 8 de março, uma mensagem cheia de erros de português foi enviada do WhatsApp de Luciani para a irmã, pedindo que a família a deixasse em paz. Palavras como "persiguindo" (perseguindo), "precionando" (pressionando) e "respentem" (respeitem) levantaram suspeitas, já que erros não eram comuns nos textos da corretora. A família comunicou o desaparecimento à polícia, e o irmão Matheus Estivalet foi ao apartamento, constatando a ausência da vítima. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso passou a ser investigado.
Próximos passos judiciais
Se a denúncia for recebida pela Justiça, o caso será distribuído a uma das Promotorias de Justiça Criminais da Capital, e os denunciados passarão a responder como réus em ação penal. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela polícia. O UOL não teve acesso às defesas deles até o momento, e o espaço segue aberto para manifestação.



