MP denuncia três suspeitos no caso do desaparecimento da família Aguiar
MP denuncia três suspeitos no caso da família Aguiar

O Ministério Público anunciou, na manhã desta segunda-feira (4), que formalizará denúncia contra três indivíduos no caso do desaparecimento da Família Aguiar, ocorrido em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As vítimas, Silvana de Aguiar (48 anos) e seus pais, Isail Vieira de Aguiar (69) e Dalmira Germann de Aguiar (70), não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro, completando 100 dias de sumiço.

Detalhes da denúncia

Além de Cristiano Domingues Francisco, policial militar e ex-marido de Silvana, que já era apontado como principal suspeito, foram denunciados Milena Ruppenthal Domingues, atual esposa de Cristiano, e Wagner Domingues Francisco, irmão dele. A denúncia foi baseada no inquérito policial que indiciou Cristiano por nove crimes, incluindo feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

As penas previstas para os crimes são severas: feminicídio pode resultar em reclusão de 20 a 40 anos; duplo homicídio qualificado, de 12 a 30 anos; ocultação de cadáver, de 1 a 3 anos; abandono de incapaz, de 2 a 5 anos; falsidade ideológica, de 1 a 5 anos; furto qualificado, de 2 a 8 anos; fraude processual, de 6 meses a 4 anos; falso testemunho, de 2 a 4 anos; e associação criminosa, de 1 a 3 anos.

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Paulo da Silva, amigo de Cristiano, além da mãe e da sogra do PM, que haviam sido indiciados por fraude processual e associação criminosa, não foram denunciados pelo Ministério Público.

Áudios gerados por inteligência artificial

Investigações revelaram que Cristiano teria utilizado áudios gerados por inteligência artificial para atrair e assassinar os pais de Silvana. As gravações falsas foram usadas para enganar as vítimas, que acreditavam estar se comunicando com a filha. A tecnologia de IA permitiu simular a voz de Silvana, criando uma armadilha mortal.

Relembre o caso

O desaparecimento da família Aguiar chocou a comunidade de Cachoeirinha. No dia 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez. Uma postagem em suas redes sociais alegava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas a polícia descobriu que o acidente nunca ocorreu e que a postagem foi uma tentativa de despistar as investigações.

No dia seguinte, os pais de Silvana, preocupados, saíram para procurá-la. Eles tentaram registrar o desaparecimento na delegacia, mas a unidade estava fechada. Segundo a polícia, os idosos foram até a casa de Cristiano, que disse que os ajudaria mais tarde. Horas depois, vizinhos os viram entrando em um carro não identificado, e desde então não foram mais vistos.

As investigações avançaram rapidamente. Em 5 de fevereiro, a perícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana. O celular dela foi localizado escondido sob uma pedra em um terreno baldio. Cristiano foi preso temporariamente em 10 de fevereiro, após quebra de sigilo telefônico revelar movimentações suspeitas. Sua prisão foi convertida em preventiva em 9 de abril.

Defesas se manifestam

As defesas dos denunciados já se pronunciaram. A defesa de Cristiano afirmou que aguarda acesso amplo aos autos para se posicionar. Já os advogados de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone declararam que seus clientes são inocentes e que as acusações são frágeis. A defesa de Wagner também negou as acusações e prometeu demonstrar a inocência dele no devido processo legal.

O caso segue sob segredo de justiça, e a Justiça aguarda o desenrolar das investigações para esclarecer todos os fatos.

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