A morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, encontrada sem vida no apartamento onde morava, no bairro Savassi, em Belo Horizonte, passou a ser investigada como feminicídio. A mudança na classificação do crime ocorreu após o laudo de necrópsia apontar asfixia por sufocação direta como causa da morte. O principal suspeito, Adalton Martins Gomes, de 45 anos, namorado da vítima, foi preso preventivamente na última sexta-feira (15).
Quem era a vítima
Giovanna Neves Santana Rocha tinha 22 anos e cursava Psicologia. Morava sozinha em um apartamento na região nobre da Savassi, herdado do pai. Segundo o advogado da família, o imóvel é avaliado em cerca de R$ 900 mil, e a jovem ainda tinha aproximadamente R$ 200 mil a receber de inventário. Amigos e familiares a descrevem como uma pessoa cheia de planos para o futuro.
Como o corpo foi encontrado
O corpo foi descoberto no dia 9 de fevereiro de 2025 por uma amiga, que possuía a chave do apartamento. A amiga estranhou o fato de Giovanna não responder mensagens e não comparecer a um almoço agendado. Ao entrar no imóvel, encontrou a jovem já sem sinais vitais e acionou imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Investigação e laudo pericial
Inicialmente, o caso foi tratado como suspeita de suicídio. A presença de caixas de medicamentos espalhadas pelo apartamento e o histórico depressivo da estudante levaram os investigadores a considerar essa hipótese. No entanto, o laudo de necrópsia trouxe uma reviravolta: a causa da morte foi asfixia por sufocação direta, o que descartou o suicídio e apontou para um homicídio.
Tentativa de forjar suicídio
De acordo com a Polícia Civil, Adalton tentou manipular a cena do crime para simular um suicídio. Elementos foram deixados propositalmente no apartamento para reforçar essa versão. Após a conclusão do laudo pericial, o caso passou a ser tratado como feminicídio.
Imagens de segurança
Câmeras de segurança do prédio flagraram o suspeito saindo do apartamento logo após o horário estimado do crime. As imagens mostram Adalton deixando o edifício de forma tranquila, como se fosse para o trabalho, horas antes de o corpo ser encontrado pela amiga da vítima.
Relacionamento recente e mudanças de comportamento
Giovanna e Adalton começaram a se relacionar em outubro de 2024, cerca de quatro meses antes do crime. Pouco tempo depois, o homem passou a morar no apartamento da jovem e transferiu contas de serviços para o próprio nome. Testemunhas relataram que Giovanna mudou de comportamento após o início do relacionamento: houve afastamento social, alterações na forma de se vestir e sinais de dependência psicológica e vulnerabilidade emocional.
Interesse no patrimônio
A polícia investiga a hipótese de que o suspeito tinha interesse financeiro no patrimônio da estudante. Segundo o advogado da família, dias após o início do namoro, Adalton já havia colocado contas em seu nome e procurado o escritório responsável pelo inventário da jovem para solicitar a troca de advogado.
Tentativa de união estável post mortem
Após a morte de Giovanna, o suspeito ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável post mortem. Ele também pressionou amigas da vítima para que confirmassem a existência de uma relação formal, na tentativa de obter direitos sobre o patrimônio.
Histórico do suspeito
Adalton Martins Gomes é casado no papel e pai de quatro filhos. Ele dizia à vítima que estava separado, mas a separação nunca foi formalizada. A polícia apurou que ele possui registros de importunação sexual e histórico de violência psicológica em relacionamentos anteriores. Após a morte, vizinhos relataram que o suspeito levou outras mulheres ao apartamento e impediu a entrada de familiares da vítima no imóvel.
Defesa
No momento da prisão, Adalton optou por permanecer em silêncio. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito nem com seus familiares até a última atualização desta matéria.



