Mentor do roubo de obras da Biblioteca Mário de Andrade é identificado
Mentor do roubo de obras da Biblioteca Mário de Andrade

A Polícia Civil de São Paulo identificou Laéssio Rodrigues de Oliveira como o mentor intelectual do roubo de 13 obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, localizada no Centro da capital paulista, ocorrido em dezembro de 2025. Conhecido pelas autoridades como 'o maior ladrão de obras de arte do Brasil', Laéssio já foi preso diversas vezes e agora é alvo da Operação Marchand, deflagrada nesta sexta-feira (22) para desarticular o núcleo de planejamento do crime.

Detalhes da Operação Marchand

Além de Laéssio, foram alvos de mandados de prisão o companheiro dele, Carlos Leandro Ferreira da Silva, e uma estudante de direito identificada como Regiane Rodrigues da Silva. A polícia afirma ter reunido um 'robusto acervo probatório' contra o trio. Laéssio já estava preso desde 20 de abril, quando foi flagrado tentando corromper um segurança do Instituto Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, para praticar novo furto. Carlos também foi detido pela Polícia Federal na ocasião.

A estudante de direito, apontada como intermediária entre o mentor e o executor do crime, foi detida em casa por agentes do Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Cerco) da 1ª Seccional. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos e em casas de leilão.

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Obras ainda desaparecidas

Embora outras obras de arte tenham sido apreendidas durante as buscas, as gravuras de Henri Matisse e Candido Portinari levadas da biblioteca ainda não foram localizadas. A polícia suspeita que a rede criminosa já estivesse articulando o escoamento clandestino do acervo para colecionadores ou leilões, possivelmente no exterior.

O papel de Laéssio no crime

Segundo o relatório da investigação, Laéssio não participou diretamente da execução do roubo para evitar ser reconhecido, já que é uma figura notória no meio cultural. Sua trajetória foi tema do documentário 'Cartas para um Ladrão de Livros', exibido pelo Globoplay. O suspeito também foi estagiário na Biblioteca Mário de Andrade em 2004, quando estudava biblioteconomia.

A investigação revelou que Laéssio fez pesquisas intensas sobre o acervo da biblioteca e a coleção 'Jazz', de Matisse, meses antes do assalto. Os investigadores também descobriram um áudio em que ele combina um encontro com o assaltante identificado como Gabriel na estação Sé do Metrô. O contato do executor do roubo estava salvo no celular de Laéssio sob o codinome 'Aphonso Hazuck – gravuras'. Em outros áudios, Laéssio se vangloria de sua expertise, afirmando que sua política é a de 'fazer circular a mercadoria' (obras raras) pelo mundo.

O roubo e os executores

O crime ocorreu em 7 de dezembro de 2025, resultando no roubo de 13 obras de alto valor histórico: oito ilustrações da série 'Jazz', de Matisse, e cinco gravuras feitas por Candido Portinari para a obra 'Menino de Engenho'. O roubo foi planejado para ocorrer exatamente no último dia da exposição 'Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade'.

A fase inicial das investigações já havia identificado Felipe dos Santos Fernandes Quadra e Gabriel Pereira Rodrigues de Mello como os assaltantes armados que invadiram a biblioteca. Felipe foi preso um dia após o assalto, enquanto Gabriel, que teria recrutado o comparsa, segue foragido.

De acordo com a investigação, Gabriel levou as gravuras para o apartamento onde morava, na região central, depois de a dupla abandonar o carro usado na fuga devido a uma pane. Imagens de câmeras internas mostram a entrada dele no prédio com as obras, que foram retiradas do imóvel horas depois. A apuração sobre o caminho percorrido pelas gravuras levou à identificação de outros personagens, como Luís Carlos do Nascimento, conhecido como 'Magrão', apontado como responsável por apoio logístico na retirada e movimentação das obras após o roubo. Ele foi solto em abril, pois a Justiça entendeu que não haveria risco para a investigação.

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