Laudo confirma morte acidental da 'Barbie Humana' por intoxicação
Laudo confirma morte acidental da 'Barbie Humana'

Um novo laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, elaborado após a exumação do corpo da influenciadora digital conhecida como “Barbie Humana”, concluiu que ela não foi asfixiada, estrangulada nem sofreu violência física. O exame complementar aponta que a morte de Bárbara Jankavski, ocorrida em novembro de 2025, foi causada por intoxicação por uso de droga, reforçando a conclusão já indicada no primeiro laudo pericial.

Resultados do novo laudo

O mais recente laudo do Instituto Médico Legal (IML) enfraquece a suspeita levantada pelos advogados da família, que defendiam a possibilidade de homicídio. O exame ficou pronto nesta semana e foi encaminhado à Polícia Civil, que segue investigando o caso como morte suspeita. Segundo a perícia, Bárbara ingeriu cocaína, possivelmente associada ao consumo de bebida alcoólica, o que potencializou os efeitos tóxicos da substância. De acordo com o documento, ela sofreu um infarto fulminante e não resistiu. A conclusão do segundo laudo é idêntica à do primeiro, que já apontava morte acidental por consumo de droga.

Cocaetileno e causa da morte

O IML informa que a causa da morte foi intoxicação por "cocaetileno", substância produzida pelo organismo quando há uso simultâneo de cocaína e álcool. Segundo os peritos, o cocaetileno é mais tóxico ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína isoladamente, podendo provocar arritmias, parada cardíaca e morte súbita. O exame complementar teve foco na região cervical, analisando o pescoço externa e internamente. Apesar do estado avançado de decomposição no momento da exumação, os especialistas concluíram que não há evidências compatíveis com morte por asfixia ou estrangulamento.

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Investigação e próximos passos

O novo laudo foi encaminhado à Polícia Civil e corrobora o entendimento da investigação do 7º Distrito Policial (DP), Lapa. A delegacia da Zona Oeste já havia relatado o inquérito no sentido de que não houve assassinato. Agora, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que assumiu o caso, deve elaborar o relatório final da investigação, que será enviado ao Ministério Público (MP). Caberá à Promotoria decidir se encaminha o caso à Justiça ou se pede o arquivamento do inquérito. Como o exame médico-legal não indica indícios de crime, existe a possibilidade de arquivamento.

O caso

Bárbara Jankavski foi encontrada pela Polícia Militar (PM) em 2 de novembro do ano passado, morta, seminua e com manchas no corpo. Ela tinha 31 anos e estava na casa do defensor público Renato de Vitto, de 51 anos, no bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo. Inicialmente, o 7º DP considerou a morte uma fatalidade. No entanto, em dezembro, por decisão da Justiça, o caso foi transferido para o DHPP, que passou a apurar se a influenciadora poderia ter sido vítima de algum crime. Além da mudança de delegacia, a Justiça determinou a exumação do corpo, realizada pelo IML em 3 de fevereiro, no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da capital. O Ministério Público e os advogados da família levantaram a hipótese de assassinato, citando possíveis sinais de violência, como lesões no olho, pescoço e pernas. Também pediram que o DHPP investigasse se o defensor público e outras duas pessoas que estiveram na residência teriam envolvimento. Até o momento, a polícia não identificou suspeitos.

Body cams e relatos contraditórios

Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre as câmeras corporais (body cams) dos PMs que atenderam a ocorrência apontou relatos contraditórios de testemunhas, incluindo mudanças de versão ao longo do atendimento. Em um dos registros, um funcionário do Samu disse a um policial que a situação era “bem esquisita” e que “a cada hora a história muda um pouquinho”. Os vídeos analisados incluem gravações de duas câmeras corporais, com falhas de áudio e interrupções, mostrando o atendimento inicial. Quando os PMs chegaram, duas ambulâncias do Samu já estavam no local. Um médico informou que a influenciadora estava morta havia cerca de 30 minutos a uma hora. Um dos policiais comentou que o corpo apresentava rigidez cadavérica e mencionou “alguns roxos”.

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Segundo o relatório, essas falas refletem a percepção de inconsistências nos relatos. As imagens mostram que Renato de Vitto apresentou versões diferentes sobre os horários e sobre quando teria sido a última interação com a influenciadora. Em momentos distintos, ele afirmou que isso ocorreu entre 19h e 20h, por volta de 21h ou 21h30, ou pouco antes de se deitar, cerca de 21h50. O defensor público também relatou que Bárbara foi contratada por ele como garota de programa e que tiveram relações sexuais. Depois, consumiram cocaína, cachaça, cerveja e energético. Em seguida, ela dormiu e não acordou mais. Renato pediu ajuda por telefone ao Samu e contou que fez massagem cardíaca por nove minutos, mas ela não voltou a respirar. Quando a ambulância chegou, foi constatada a morte no local. Uma outra mulher que estava na residência aparece nas imagens corrigindo ou complementando informações do defensor público, especialmente sobre horários, sintomas e manchas no tapete do banheiro, que ela atribuiu à menstruação. O relatório destaca que a análise das câmeras corporais teve como objetivo descrever o que foi registrado, sem atribuir responsabilidade criminal.

O que dizem os advogados

Procurado pelo g1, o advogado Átila Machado, que atua na defesa do defensor público, afirmou: “por se tratar de investigação que tramita sob segredo de Justiça, não podemos nos manifestar”. A reportagem não conseguiu contato com o advogado da família da influenciadora até a última atualização deste texto.

Quem era a ‘Barbie Humana’

Bárbara ficou conhecida nas redes sociais como a “Barbie Humana” por compartilhar conteúdos sobre estética corporal, procedimentos estéticos e aparência inspirada em bonecas. Também usava o apelido de “Boneca Desumana” e somava mais de 400 mil seguidores, considerando Instagram e TikTok. Segundo a própria influenciadora, ela passou por 27 cirurgias plásticas para se parecer com a boneca Barbie.