Justiça solta influenciadora suspeita de vender xampu de cavalo para humanos
Justiça solta suspeita de vender xampu de cavalo para humanos

A Justiça concedeu liberdade à médica-veterinária e influenciadora Raylane Diba Ferrari, de 29 anos, suspeita de vender xampu de cavalo para uso humano. Ela foi detida na segunda-feira (4), em Campo Grande, e liberada após pagar fiança de R$ 4,8 mil na terça-feira (5). O caso reacendeu o alerta sobre os perigos do uso de produtos veterinários em humanos.

Riscos à saúde

Segundo o médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, a prática pode causar danos graves. “Produtos veterinários são formulados para animais e têm pH diferente do couro cabeludo humano. Além disso, a concentração de detergentes é muito alta, o que resseca intensamente o couro cabeludo”, explica. O uso contínuo pode levar a coceira, descamação, inflamação, alergia, infecção e até perda irreversível dos fios.

Desespero por resultados rápidos

Barsanti destaca que a busca por soluções milagrosas para queda de cabelo abre espaço para influenciadores venderem produtos irregulares. “Quando a pessoa percebe queda de cabelo, entra em desespero e recorre às redes sociais. Mas não existe solução rápida e milagrosa. Medicina não é magia”, alerta. Ele reforça que a queda de cabelo pode ter múltiplas causas, como problemas de tireoide, alterações hormonais ou fatores emocionais, e que um xampu isolado não resolve o problema.

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O caso

Raylane Diba Ferrari foi presa após investigação apontar a venda de produtos veterinários para humanos. Ela divulgava os itens nas redes sociais, onde tem mais de 500 mil seguidores. Em um vídeo, ela diz: “Vocês concordam comigo que, se eu sou veterinária, eu posso usar produtos veterinários no meu cabelo, né? Ah, não pode? Olhe aqui o tamanho desse meu cabelão. Não pode é ficar careca”. Durante a ação policial, um funcionário foi flagrado adicionando 7 ml de um suplemento veterinário ao xampu antes da venda. Caixas prontas para envio a clientes de várias regiões foram encontradas no local.

Defesa

A defesa alega que a veterinária apenas divulgava os produtos, sem produzi-los, e que ela não tem formação em manipulação de substâncias. Raylane teve o registro profissional suspenso e deve cumprir prisão domiciliar, além de comparecer à Justiça quando convocada. O caso segue sob investigação.

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