O Hospital Psiquiátrico Gedor Silveira, localizado em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas Gerais, encerrou definitivamente os atendimentos psiquiátricos após uma decisão judicial que determinou o fim das instituições de internação desse tipo. O último paciente recebeu alta no dia 30 de abril, e agora a Fundação Gedor Silveira busca definir o destino de cerca de 150 funcionários que atuavam no local.
Fim das atividades e impacto nos funcionários
Com o encerramento das atividades, iniciado oficialmente na última semana, os gestores da fundação passaram a discutir, junto ao Ministério Público, alternativas para os trabalhadores. A instituição funcionava há mais de 60 anos e atendia, de forma gratuita, pacientes de mais de 150 municípios do Sul de Minas. Antes do fechamento, o hospital chegou a ser considerado o maior hospital psiquiátrico do estado. Os serviços oferecidos incluíam tratamento para transtornos psiquiátricos e também para dependência de álcool e outras drogas.
Decisão judicial e tentativas de adequação
Em entrevista à EPTV Sul de Minas, o presidente da Fundação Gedor Silveira, Fernando Montans Alvarenga, afirmou que a decisão judicial teve origem em uma ação do Ministério Público ajuizada em 2020. "Infelizmente, nós tivemos em 2020 uma ação do Ministério Público e o juiz federal acatou essa ação pedindo o encerramento das atividades do hospital. Muito triste, a gente desospitalizou o nosso último paciente na última semana", disse Fernando. Segundo ele, a atual gestão assumiu a instituição em 2023 e tentou adequar o hospital para manter os atendimentos. Ele afirma que buscou apoio tanto do governo federal quanto do estadual, mas não obteve respostas favoráveis. "Nós fizemos todas as readequações necessárias para a manutenção do hospital. Ninguém veio nos fiscalizar. Nós chamamos incansavelmente para ver o nosso trabalho de recuperação da instituição, devolvendo esses pacientes de forma digna para a sociedade", afirmou.
Críticas à falta de estrutura da rede pública
O presidente da fundação relatou ainda que esteve no Ministério da Saúde, em Brasília, e na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. "Eles falaram que não era um problema meu, que eu tinha que voltar para casa. Fui na Secretaria Estadual de Saúde. Eles falaram que o Sul de Minas era muito mal acostumado por ter o Gedor Silveira aqui e por isso não desenvolvia o plano de saúde mental", disse. Fernando também criticou a falta de estrutura da rede pública para absorver os pacientes que antes eram atendidos no hospital. "Eles dizem que o leito de retaguarda é uma maneira de receber esses pacientes, e a gente sabe que não tem hospital nenhum, maneira e equipe para conduzir esses pacientes para uma reintegralização na sociedade. É uma pena o que estão fazendo com a saúde mental no Brasil", afirmou.
Consequências para os pacientes
Sobre o destino dos pacientes, o presidente da fundação relatou um caso recente que, segundo ele, ilustra as consequências do fechamento da unidade. "Na última quinta-feira, uma mãe de um paciente mandou um WhatsApp falando que o filho dela teve um surto dentro de casa, quebrou a casa, foi preso e está em uma delegacia. Esse é o tratamento que acho que os governos estadual e federal querem para o paciente com surto psicótico", declarou. Diante do cenário, a Fundação Gedor Silveira tenta agora negociar com a Prefeitura de São Sebastião do Paraíso a criação de um novo modelo de atendimento em nível municipal.
Negociações para novo modelo de atendimento
"Nós estamos aqui com a prefeitura local, com o prefeito Marcelo Moraes, tentando buscar uma equação para a negociação dos prédios, para que a gente possa fazer a demissão dos nossos colaboradores e, quem sabe, montar um modelo municipal para atender pelo menos a nossa microrregião", explicou Fernando. A EPTV Sul de Minas informou que entrou em contato com o Ministério Público para solicitar um posicionamento sobre o fechamento do hospital, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.



