Hospital condenado a pagar R$ 1 milhão por troca de bebês em Goiás
Hospital condenado por troca de bebês em Inhumas (21.05.2026)

Em 2024, dois casais denunciaram que seus filhos haviam sido trocados após o parto no Hospital da Mulher, em Inhumas, Goiás. A história de Cláudio, Yasmin, Isamara e Guilherme, que precisaram destrocar seus bebês após três anos de convivência por determinação judicial, ganhou novo capítulo com a condenação do hospital a pagar indenização de R$ 1 milhão. De foto com a mãe biológica ao nascer até a decisão judicial, relembre o caso.

Em nota sobre a indenização enviada nesta quarta-feira (20), o Hospital da Mulher de Inhumas informou que seu departamento jurídico está analisando tecnicamente a decisão e avaliando possível recurso. A instituição afirmou ainda que a troca foi um caso isolado em mais de 60 anos de existência e mais de 30 anos de gestão.

Nascimento e foto – outubro de 2021

Os meninos nasceram no dia 15 de outubro de 2021, com apenas 14 minutos de diferença, no Hospital da Mulher. Naquele dia, Yasmin Kessia da Silva tirou uma foto com o filho biológico logo após o parto. A criança usava uma pulseira de identificação.

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Separação e DNA – outubro de 2024

A descoberta da troca só aconteceu três anos depois, quando o casal Cláudio Alves e Yasmin se separou. O pai pediu um exame de DNA para comprovar a paternidade do filho. O exame foi realizado em 31 de outubro de 2024, e uma contraprova confirmou que o filho não era biologicamente compatível com o casal.

A outra família – novembro de 2024

Com o choque da descoberta, Yasmin lembrou-se da família que estava no hospital no mesmo dia do parto e entrou em contato com eles por meio de um pastor. Após o alerta, o casal Isamara Cristina Mendanha e Guilherme Luiz de Souza também fez o exame de DNA com o filho, que confirmou a desconfiança. "Foi um dia muito triste. O pior dia da minha vida. Ficamos com medo de perder o nosso filho, que a gente criou", disse Guilherme.

Denúncia – novembro de 2024

As famílias denunciaram o caso à polícia em novembro de 2024, quando tinham a prova de que não estavam com seus filhos biológicos, mas ainda não haviam feito o exame que comprovava a troca entre eles, pois era necessária autorização judicial. "É um choque muito grande. Não tenho estrutura psicológica para isso", afirmou Cláudio na época.

Confirmação da troca – dezembro de 2024

No mês seguinte, um exame de DNA solicitado pela Polícia Civil confirmou a troca entre os bebês. O resultado apontou que o filho de Isamara e Guilherme foi trocado com o filho de Yasmin e Cláudio.

Investigação – março de 2025

A Polícia Civil concluiu o inquérito em 18 de março e pediu o arquivamento por entender que não houve crime. O delegado Miguel da Mota Leite Filho afirmou que a identificação dos bebês foi feita de forma correta pelo hospital, e a confusão ocorreu por parte de uma técnica de enfermagem ao entregar os recém-nascidos aos pais.

Bebês destrocados – outubro de 2025

Sete meses após a conclusão do inquérito, a Justiça determinou que os bebês fossem devolvidos às famílias biológicas. Após quatro anos de convivência, as crianças passaram por uma mudança gradual e continuam vivendo com as duas famílias. As certidões foram retificadas com os nomes de dois pais e duas mães.

Indenização – maio de 2026

Em 16 de março, o Hospital da Mulher foi condenado a pagar indenização de R$ 1 milhão por danos morais. Cada um dos pais deve receber R$ 250 mil. Um dos pais, que preferiu não ser identificado, disse que nenhum valor financeiro seria suficiente para reparar o erro. "Dinheiro nenhum vai cobrir o que a gente está passando", afirmou. Hoje, os meninos convivem com as duas famílias por guarda compartilhada, mas a adaptação tem sido difícil. O hospital ainda pode recorrer.

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