Deputado Thiago Rangel preso pela PF em nova fase da Operação Unha e Carne
Deputado Thiago Rangel preso pela PF em nova fase de operação

O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso nesta terça-feira (5) pela Polícia Federal (PF) durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura fraudes em compras de materiais e contratação de reformas na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). Segundo as autoridades, o parlamentar apresentou um aumento patrimonial de 748% em apenas dois anos, com base em declarações feitas à Justiça Eleitoral.

Evolução patrimonial expressiva

De acordo com as investigações, em 2014 Thiago Rangel trabalhava como motorista e recebia um salário de R$ 1 mil. Sua primeira eleição ocorreu em 2020, quando conquistou uma vaga na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes. Na ocasião, ele declarou um patrimônio de R$ 224 mil, composto por dois veículos, uma participação de R$ 60 mil em um posto de gasolina e uma moto aquática. Já em 2022, ao ser eleito deputado estadual, declarou R$ 1,9 milhão em bens, incluindo 18 postos de combustíveis — um crescimento de 748%.

Quem é Thiago Rangel

Natural de Guarus, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Thiago Rangel Lima tem 39 anos e se declara empresário do ramo varejista. Iniciou a carreira política como vereador em Campos, eleito em 2020. Durante o mandato, ganhou destaque ao participar da criação do programa de transferência de renda Cartão Goitacá. O empresário também teve passagens por cargos na administração pública estadual, como a Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-RJ) e a Diretoria de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ). Em 2022, foi eleito deputado estadual com 31,1 mil votos. Ele é pai da vereadora Thamires Rangel (PMB), eleita em 2024 aos 18 anos, a mais jovem do país naquele pleito. No mesmo ano, ela foi nomeada subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade no governo estadual, mas foi exonerada nesta terça-feira pelo governador Ricardo Couto.

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Investigações anteriores

Em 2024, Thiago Rangel já havia sido alvo da Operação Postos de Midas, da PF, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro em Campos dos Goytacazes. Segundo a PF, o grupo usava postos de combustíveis para ocultar recursos obtidos por meio de contratos públicos supostamente fraudulentos e com sobrepreço. As apurações indicavam que o esquema funcionava desde 2021, com a participação de empresas ligadas ao parlamentar. Na ocasião, Thiago Rangel negou qualquer irregularidade e afirmou confiar que a Justiça esclareceria os fatos.

Nova fase da Operação Unha e Carne

Na fase atual, a Polícia Federal aponta indícios de que o deputado teria ligação com um esquema semelhante, agora focado em contratações na rede estadual de ensino. As diligências desta terça-feira incluem o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades do estado. Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Até a última atualização desta reportagem, a defesa do deputado não havia se manifestado sobre a prisão na nova operação.

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