O deputado estadual Gilmaci Santos (Republicanos) e o vereador Cristen Charles (MDB) protagonizaram uma discussão acalorada durante uma audiência pública da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) realizada na Câmara Municipal de Peruíbe, no litoral paulista. Em meio ao desentendimento, Gilmaci chegou a solicitar a intervenção da Polícia Militar para retirar o vereador do plenário, mas a medida não foi executada.
Entenda o conflito
O episódio ocorreu na manhã de sexta-feira (24), durante a discussão do Orçamento Participativo do Estado. A audiência, presidida por Gilmaci, tinha como objetivo gerar debates e receber sugestões da população. Durante sua fala, Cristen cobrou isenções fiscais estaduais que, segundo ele, foram concedidas “sem critério” e resultariam em uma redução de R$ 60 milhões nos repasses ao município nos próximos três anos, afetando principalmente a área da Saúde. Além disso, o vereador criticou as ações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na região, que é do mesmo partido do deputado. “Qual foi a prioridade do Governo do Estado nos últimos anos? Vamos ser claros, [a preocupação] foi instalar pórticos de pedágio”, afirmou.
Em sua réplica, Gilmaci rebateu as críticas, argumentando que as isenções fiscais atendem a setores estratégicos e não a empresas específicas. Ele disse que Cristen deveria ter “propriedade para falar” sobre assuntos “que não conhecia”. Imediatamente, Cristen reagiu por não ter tido direito de resposta em plenário. A discussão escalou, e Gilmaci chamou o vereador de “irresponsável e incompetente”.
Pedido de retirada e reação do público
O deputado então acionou a Polícia Militar e pediu que os agentes retirassem Cristen do plenário. “Vou dar um jeito de tirar o senhor daqui para mostrar que quem manda aqui agora sou eu [...] Aqui, hoje, não é a sua Casa. Aqui, hoje, é a Assembleia Legislativa. (...) Quem manda aqui agora sou eu, não é o senhor”, destacou Gilmaci. A determinação gerou reação negativa do público presente. “Eu não me importo com os senhores”, disse o deputado. Um policial militar se aproximou e conversou com Cristen, mas os ânimos se acalmaram. O vereador permaneceu no plenário, e a audiência foi retomada a pedido dos demais parlamentares.
Posicionamentos
O prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo (PSD), pediu respeito durante a sessão. “Essa é uma característica do nosso povo. Não podemos vender essa imagem de que a nossa casa não trata os deputados que vêm de fora de forma respeitosa”, destacou. Ao retomar a fala, Gilmaci disse que não se manifestou durante a fala do vereador que criticou o Governo do Estado. “Falou o que quis falar e eu fiquei quieto”, afirmou, acrescentando que apenas aproveitou a sua fala para rebater os apontamentos. “Aqui nós estamos em ordem, nunca tivemos esse problema em lugar nenhum, nós já estamos fazendo audiência pública há seis anos [...] Nós ouvimos o que tivemos que ouvir e depois nós respondemos, é assim que funciona”, disse.
Repercussão
A União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs) divulgou nota em solidariedade a Cristen e em repúdio à atitude de Gilmaci, classificando o ocorrido como “um cenário notório de abuso de poder”. A entidade destacou que a função do deputado era presidir a audiência com respeito às instituições e à pluralidade de ideias, e que “ali não era o foro adequado para defesa de governo e, muito menos, para arroubos autoritários”.
Ao g1, Cristen afirmou que deve representar contra o deputado na Comissão de Ética da Alesp por abuso de poder e intimidação por meio da máquina do Estado, usando a Polícia Militar. A Alesp e o gabinete de Gilmaci não se posicionaram até a publicação desta reportagem.



