A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra encontra-se detida na Penitenciária Feminina de Santana, localizada na Zona Norte de São Paulo. A unidade prisional, que opera em regime fechado, está superlotada, abrigando 2.825 mulheres, embora sua capacidade seja de 2.686 vagas. Inaugurada em 8 de dezembro de 2005, a penitenciária possui 108 mil metros quadrados de área construída e é a maior do estado de São Paulo em número de vagas.
Contexto da prisão
Deolane foi presa na quinta-feira (21) em Alphaville, Barueri, durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, a advogada é apontada como integrante da facção e teria papel central na estrutura financeira do grupo criminoso. O inquérito indica que contas vinculadas a ela eram utilizadas para movimentar recursos do PCC e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Declarações e audiência de custódia
Ao sair da sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, antes de ser transferida para a penitenciária, Deolane afirmou que “a Justiça vai ser feita”. A audiência de custódia ocorreu na tarde de quinta-feira, e a Justiça manteve a prisão preventiva da influenciadora.
Superlotação na Penitenciária Feminina de Santana
A Penitenciária Feminina de Santana está com 139 detentas acima de sua capacidade. Dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) atualizados em 20 de setembro mostram que a unidade abriga 2.825 mulheres. Em comparação, a segunda penitenciária feminina mais populosa do estado, em Mogi Guaçu, tem 1.198 presas. A penitenciária está localizada na Avenida General Ataliba Leonel, no bairro do Carandiru, historicamente marcado pelo antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, palco do massacre de 1992 que resultou em 111 mortos. Parte do terreno hoje abriga o Parque da Juventude.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
A prisão de Deolane ocorre em meio a uma investigação que aponta a existência de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, a influenciadora utilizava sua estrutura financeira e projeção pública para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos. O dinheiro atribuído ao PCC era misturado a recursos de outras atividades antes de retornar à facção. Os investigadores afirmam que o lucro do esquema era incorporado à economia formal por meio da compra de bens de alto valor em nome de empresas ligadas à advogada, como uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em R$ 4,7 milhões e um Porsche 911 Carrera.
Origem da investigação
A Operação Vérnix, que resultou na prisão de Deolane, teve origem na troca de bilhetes e manuscritos apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau. Durante a análise do material, os investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos para viabilizar ataques planejados pela organização criminosa. Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, operador central do esquema, revelando detalhes sobre a lavagem de dinheiro e conexões financeiras com a influenciadora.
Movimentações financeiras suspeitas
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing. Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza, que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais. Além disso, quase 50 depósitos foram feitos a duas empresas de Deolane, totalizando R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito, cujo responsável é um homem morador da Bahia que recebe cerca de um salário mínimo por mês. A análise das contas não identificou pagamentos relacionados a esses créditos, indicando ocultação ou dissimulação de recursos do PCC. Também não foram encontradas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados.
Penitenciárias femininas no estado de São Paulo
O sistema prisional feminino paulista enfrenta superlotação na maioria de suas unidades. A Penitenciária Feminina Sant’Ana (São Paulo) tem capacidade para 2.686 e abriga 2.825 presas. Em Mogi Guaçu, a capacidade é de 739, com 1.198 detentas. Votorantim tem 732 vagas e 972 presas. Tremembé II tem 722 vagas e 645 presas, sendo uma das poucas sem superlotação. Pirajuí tem 714 vagas e 822 presas. Tupi Paulista tem 714 vagas e 873 presas. Campinas tem 556 vagas e 551 presas, também sem superlotação. Tremembé I tem 373 vagas e 504 presas. Ribeirão Preto tem 295 vagas e 318 presas.



