A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela chegou ao Palácio da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, às 9h27, vestindo um moletom azul, com os cabelos presos e sem algemas. A detenção ocorreu em sua residência, um condomínio de luxo em Alphaville, bairro nobre de Barueri, na Grande São Paulo.
Contexto da prisão
Deolane havia retornado ao Brasil na quarta-feira (20) após passar as últimas semanas em Roma, na Itália. Seu nome chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. A investigação do Ministério Público aponta que o esquema de lavagem de dinheiro envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula do PCC, considerada a maior facção criminosa do país.
Alvos da operação
Além de Deolane, a Operação Vérnix mirou parentes e pessoas ligadas ao líder da facção Marco Herbas Camacho, o Marcola, que já está preso. Foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos do líder; e Everton de Souza, conhecido como 'Player', operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro já estão detidos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre a nova ordem de prisão.
A Justiça determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação por Deolane, e um contador também são alvos de busca e apreensão.
O patrimônio de Deolane
A advogada acumula cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram. Ela ganhou notoriedade ao postar fotos de carros de luxo e mansões em Alphaville. O patrimônio ostentado já havia chamado a atenção das autoridades. Em setembro de 2024, ela foi presa pela primeira vez na Operação Integration, da Polícia Civil de Pernambuco, que investigava lavagem de dinheiro e jogos ilegais ligados a bets e casas de apostas.
Detalhes da investigação
A investigação começou em 2019, com a apreensão de bilhetes e manuscritos de dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais. O primeiro focou nos dois detentos, que foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal. Os bilhetes mencionavam uma 'mulher da transportadora', que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques do PCC.
O segundo inquérito identificou a transportadora de cargas como empresa de fachada usada para lavagem de dinheiro, resultando na Operação Lado a Lado, em 2021. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central, revelou movimentações financeiras e conexões com Deolane. As imagens de depósitos em favor de Deolane e Everton de Souza foram encontradas no aparelho.
O terceiro inquérito deu origem à Operação Vérnix, que aprofundou o esquema de lavagem. As investigações apontaram que Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil (técnica de smurfing) entre 2018 e 2021. Quase 50 depósitos, totalizando R$ 716 mil, foram feitos a duas empresas dela por um banco de crédito cujo responsável recebe cerca de um salário mínimo mensal. Não foram identificados pagamentos relacionados a esses créditos, nem prestações de serviço como advogada que justificassem os valores. A Justiça bloqueou R$ 27 milhões em nome de Deolane, referentes a valores não comprovados.



