Crime motivado por dívida de R$ 300
Jean Couan Kruger, dono de uma bicicletaria no Centro de Curitiba, foi condenado na noite de terça-feira (5) a 16 anos e 7 meses de prisão pela morte do venezuelano Guillermo Rafael de Maria Montes, de 42 anos. O crime ocorreu em março de 2025 e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram os dois homens discutindo e entrando em luta corporal. Durante a briga, Jean saca uma arma e dispara várias vezes contra Guillermo, que cai no chão. Após assassinar a vítima, Jean arrastou o corpo para dentro da bicicletaria, fechou as portas e fugiu. Ele foi preso nove dias depois.
Motivação do crime
As investigações apontaram que o crime foi motivado por um pagamento de R$ 300. Testemunhas relataram que, meses antes, uma bicicleta da vítima passou por conserto na bicicletaria de Jean. No entanto, o serviço foi mal efetuado, e Guillermo exigiu o reembolso do valor pago. Na condenação, os jurados consideraram que o crime foi cometido por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Jean permanecerá detido para o cumprimento da pena, sem direito de recorrer em liberdade.
Tese da defesa rejeitada
Ao longo do julgamento, a defesa de Jean defendeu a versão de que a vítima era agiota e estava cobrando uma dívida. A tese não foi adotada pelos jurados. O advogado Jackson William Bahls, responsável pela defesa do condenado, informou que discorda da decisão e pretende solicitar a reforma da sentença. Disse ainda que pedirá a anulação do julgamento.
Manifestação do Ministério Público
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) informou que o resultado do júri é consequência das provas fartas. "As imagens deixam bem claro que o réu, em nenhum momento, estava em qualquer posição de defesa, de medo, de se sentir acuado. Muito pelo contrário. As imagens deixaram bem claro que o réu foi para cima da vítima. O réu matou a vítima a sangue frio, à queima-roupa, sem se intimidar com a luz do dia", afirmou o MP.
Antecedentes criminais de Jean
Jean já foi condenado a nove anos de prisão pela tentativa de homicídio de uma pessoa em situação de rua, em 2012. Segundo a denúncia, Jean, na frente de um adolescente, agrediu a vítima com uma barra de ferro. Conforme o documento, o homem arrastou a vítima, que estava desmaiada, até o meio da rua, e a agrediu com chutes na cabeça. Em 2017, Jean foi julgado e condenado por corrupção de menores e tentativa de homicídio qualificado por meio cruel. Ao longo do processo, Jean afirmou que as agressões foram motivadas pela suspeita de que a vítima traficava drogas e cometia furtos em frente à bicicletaria que pertencia a ele, próxima ao Terminal do Guadalupe, em Curitiba.
Decisão judicial anterior
Na fixação da pena, a juíza que analisou o caso afirmou que, insatisfeito com a situação ilícita, ele deveria ter acionado as autoridades competentes, mas preferiu "agredir a vítima brutalmente" e optou por "fazer justiça com as próprias mãos". Além disso, considerou que Jean apresentava conduta social favorável, na medida em que trabalhava e "não demonstrava ser uma pessoa voltada à prática de crimes". Segundo o Tribunal de Justiça do Paraná, o processo foi arquivado em 2023. O órgão não informou o motivo do arquivamento.



