Bombeiro já era réu em caso anterior de importunação sexual
Uma mulher que afirma ter sido vítima de importunação sexual por um bombeiro militar em 2021 relatou ter revivido o trauma ao reconhecer o suspeito em uma reportagem exibida pelo Jornal do Almoço, da RBS TV. O homem foi preso em flagrante por um crime semelhante ocorrido em 22 de abril de 2026, cinco anos após o primeiro incidente.
“Passei alguns dias muito ansiosa, querendo confirmar se era ele. Eu só sabia que também era bombeiro e a situação era parecida. Quando o rosto dele apareceu na TV, pude confirmar”, contou a vítima, que preferiu não se identificar.
O crime de 2021
Segundo a mulher, o abuso ocorreu durante uma viagem de ônibus entre Bagé e Porto Alegre, na madrugada. Ela acordou assustada ao sentir alguém tocando suas partes íntimas. “Acordei sentindo alguém mexendo no meio das minhas pernas, por baixo do travesseiro e da bolsa”, disse. Ao reagir, empurrou a mão do agressor e olhou fixamente para o rosto dele. Ele então se levantou, pegou a mochila e desceu na parada seguinte.
Na época, ela registrou ocorrência na Delegacia da Mulher de Caxias do Sul. O suspeito, identificado como soldado do Corpo de Bombeiros Militar Anderson Ferreira Bandeira, foi indiciado, denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por importunação sexual, mas respondia em liberdade.
Impacto psicológico e novo caso
A vítima afirmou que conviveu com medo e insegurança por anos, necessitando de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Ao saber que outra mulher teria passado por situação semelhante com o mesmo homem, decidiu falar publicamente. “Não posso dizer que fiquei feliz, é triste ver mais uma vítima. O que sinto é um certo alívio. Agora não é só a minha palavra”, declarou.
O bombeiro foi preso em flagrante dentro de um ônibus que fazia o trajeto Porto Alegre-Bagé. De acordo com a Polícia Civil, a vítima acordou durante a viagem e percebeu que estava sendo alvo de ato libidinoso, acionando outros passageiros.
Padrão de comportamento e medidas institucionais
Para o Ministério Público, os dois casos indicam um padrão. “Está claro que se trata de um agressor com habitualidade criminosa contra mulheres. Isso pode ser considerado para exasperar a pena”, disse o promotor de Justiça de Bagé, Diogo Taborda.
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul informou que abriu Inquérito Policial Militar e Conselho de Disciplina para avaliar a permanência do servidor na corporação. Sobre o caso de 2021, a instituição disse que já havia adotado medidas administrativas. A defesa do suspeito não se manifestou.
A mulher que denunciou o caso de 2021 afirma que tornou a situação pública como alerta. “É importante denunciar, mesmo com medo. Precisamos falar sobre isso para que outras mulheres não passem pela mesma situação”, concluiu.



