A Justiça decidiu manter o contraventor Adilson Oliveira Coutinho, conhecido como Adilsinho, preso em um presídio de segurança máxima em Brasília. A decisão atendeu a um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco). Adilsinho já havia sido transferido para essa unidade prisional em fevereiro, quando foi preso em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio.
Liderança em organização criminosa
De acordo com a Justiça, Adilsinho exerce posição de liderança em uma organização criminosa voltada para crimes violentos em prol do jogo do bicho. As autoridades apontam que ele é um dos principais nomes da cúpula da contravenção no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, ele passou a ser associado não apenas à exploração do jogo do bicho, mas também a uma série de atividades ilícitas que ampliaram o poder econômico e territorial do grupo.
Esquema criminoso multifacetado
As investigações revelam que o esquema comandado por Adilsinho envolvia diversas frentes ilegais. Entre elas, a exploração tradicional de pontos de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, o comércio ilegal de cigarros, com suspeita de uso de trabalho escravo, além de suspeitas de homicídios ligados a disputas por território. A polícia afirma que o grupo movimentava milhões de reais por mês, e parte desse dinheiro seria usada para manter a estrutura da organização e corromper agentes públicos.
Jogo do bicho e caça-níqueis
Adilsinho é investigado por comandar pontos de jogo do bicho em bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense. A polícia também afirma que o grupo operava máquinas caça-níqueis espalhadas por bares e estabelecimentos comerciais. Segundo os investigadores, o esquema movimentava milhões de reais por mês.
Assassinatos e disputas por território
A Polícia Civil investiga o grupo por envolvimento em assassinatos ligados à disputa pelo controle de áreas do jogo do bicho. Embora os casos específicos corram sob sigilo, os investigadores apontam que a violência teria sido usada como forma de intimidação contra rivais e até contra integrantes da própria organização. Entre os casos investigados está a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em 26 de fevereiro de 2024. Adilsinho é apontado como possível mandante. Em relatórios, a polícia sustenta que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções e uso de segurança armada para proteger pontos estratégicos.
Cigarro ilegal
Outro braço do esquema era a comercialização de cigarros contrabandeados, geralmente vindos do Paraguai, que abasteciam pontos de venda na Região Metropolitana do Rio. A polícia afirma que a venda do produto ilegal ampliava os lucros da organização e fortalecia sua presença em comunidades onde o comércio formal enfrenta menos fiscalização. Segundo a Polícia Federal, a produção ilegal rende à quadrilha de Adilsinho um faturamento mensal de, no mínimo, R$ 50 milhões. A estrutura criminosa montada desde 2018 tem financiado não apenas a corrupção de agentes públicos, mas também investimentos em atividades ilícitas no Paraná e a construção de uma vida de luxo nos Estados Unidos, incluindo a aquisição de carros Ferrari e de um jatinho executivo avaliado em R$ 4,5 milhões.
Suspeita de trabalho análogo à escravidão
As investigações também apontam suspeitas de exploração de trabalhadores em condições degradantes em fábricas clandestinas de cigarros. Pessoas seriam mantidas em jornadas exaustivas e sob condições precárias de higiene e segurança. Em 2023, a PF estourou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma fábrica clandestina de cigarros, onde 19 paraguaios foram encontrados em condições análogas à escravidão. Em julho de 2022, também em Duque de Caxias, a Polícia Civil do RJ estourou outra fábrica com situação semelhante.
Defesa de Adilsinho
O advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, divulgou nota afirmando que a prisão ocorreu “dentro da mais absoluta tranquilidade”. “As imagens da prisão evidenciam que tudo transcorreu dentro da mais absoluta tranquilidade, fato que desconstrói a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário. A defesa reafirma que ele confia na Justiça e demonstrará sua inocência quanto a todos os fatos que lhe são injustamente imputados”, diz o texto. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima.



