A advogada e amiga do galerista Brent Sikkema, que encontrou o corpo dele no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, viajou para Nova York para testemunhar no julgamento do ex-marido de Sikkema. Ela descreve a experiência como "um processo de luto e trauma muito difícil". Daniel Sikkema foi condenado pela morte do ex-companheiro, assassinado a facadas em janeiro de 2024.
Simone Nunes relata que, durante seu depoimento, Daniel "estava sem reação nenhuma", enquanto ela, aos prantos, contava o que viveu. "Eu era muito amiga do Brent e infelizmente ele faltou nossa reunião e eu fui até lá achando que ele teria perdido o celular. Ao chegar lá, o encontrei morto e essa dor eu carrego até hoje. Ver alguém que amamos morto e depois saber pela polícia que havia sido cruelmente assassinado é uma dor no peito para sempre", afirmou ao g1.
Segundo a acusação, Daniel Sikkema contratou Alejandro Triana Prevez para cometer o crime durante um processo de separação conturbado. A Justiça americana concluiu que ele conspirou para planejar e financiar o assassinato de Brent, de 75 anos. O cubano confessou que assassinou o galerista.
Expectativa de prisão perpétua
A promotoria espera que a sentença seja de prisão perpétua, de acordo com Simone. "O desejo que eu tenho é que o filho dele se reconstrua e que Brent finalmente descanse em paz", destaca a amiga. Ela conta que viveu um momento simbólico ao retornar para o Brasil com as cinzas do amigo em fevereiro de 2024, quando uma borboleta passou dias ao lado da urna. Na manhã desta sexta-feira (22), data da condenação, outra borboleta a visitou. "Ao chegar no Brasil com as cinzas de Brent, hoje na casa havia uma borboleta ao lado das cinzas", conta.
Brent Sikkema era um importante galerista de Nova York e fundador da galeria Sikkema Jenkins, conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker. Nesta sexta-feira (22), um júri federal considerou Daniel Sikkema culpado em três acusações relacionadas à conspiração para contratar e pagar um assassino para matar o galerista, que estava de férias na segunda residência do casal.
Detalhes do crime
Daniel havia permanecido em Nova York com o filho do casal, Lucas, hoje com 15 anos. "Ele encomendou e pagou pelo assassinato do marido, além de manipular amigos para isso", afirmou a procuradora federal assistente Meredith Foster em sua declaração final ao júri. A sentença deve ser anunciada na próxima semana, mas a promotoria pediu prisão perpétua.
Quinze dias após o crime, o cubano Alejandro confessou a autoria. Ele contou que Daniel lhe pagou US$ 9 mil para cometer o crime. A defesa de Daniel nega e disse aos jurados que o pagamento correspondia a valores atrasados por trabalhos realizados. Segundo o jornal, Daniel não demonstrou emoção quando o veredicto foi lido nem ao ser conduzido para fora do tribunal federal de Manhattan, no Distrito Sul de Nova York. Seu filho não compareceu à leitura do veredicto. A equipe jurídica dele se recusou a comentar se vai recorrer. Antes do julgamento, seu advogado afirmou que Daniel era inocente.
Atualmente, Prevez está preso no Brasil aguardando julgamento. Procurado após o veredicto, seu advogado declarou: "O sr. Alejandro Triana acredita que a sentença fez justiça, já que o sr. Daniel foi o mentor do crime e o ameaçou repetidamente para que o assassinato fosse executado." O caso teve grande repercussão no Brasil. A Justiça do Rio chegou a pedir que Daniel fosse deportado para responder pelo crime no Brasil. Pouco tempo depois, o caso começou a ser investigado pela polícia americana e pelo FBI.



