Investimentos sob suspeita: CPI investiga Rioprevidência e Cedae no Banco Master
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos realizados pelo Rioprevidência e pela Cedae no Banco Master. De acordo com deputados estaduais, os valores envolvidos podem alcançar aproximadamente R$ 3 bilhões. O anúncio foi feito no início da sessão desta quarta-feira, 6 de novembro.
O deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, confirmou que reuniu as assinaturas necessárias para protocolar o pedido de instauração da CPI. Um terço dos parlamentares da Casa apoiou o requerimento. O objetivo central da comissão é apurar os impactos dos aportes financeiros feitos pelo Rioprevidência no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro deste ano.
Investimentos de risco para aposentados
Segundo investigação da Polícia Federal, nove aplicações realizadas entre 2023 e 2024 colocaram em risco os recursos de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. Os dados apresentados na Alerj indicam que o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master. Além disso, o fundo de previdência estadual também aplicou aproximadamente R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira. Parte desses investimentos foi feita mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que havia proibido novos aportes do Rioprevidência no banco.
A Cedae também realizou investimentos no Banco Master, somando cerca de R$ 200 milhões. A CPI terá a responsabilidade de analisar detalhadamente essas operações, proteger o dinheiro público, esclarecer o montante perdido e o impacto nas aposentadorias dos servidores e nas contas públicas, além de buscar soluções para desvincular os servidores dessas dívidas consideradas ilegais.
De acordo com o regimento interno da Alerj, a CPI deve ser criada automaticamente em até 48 horas após o protocolo do pedido. No entanto, a publicação oficial depende do presidente da Casa, Douglas Ruas. A comissão será composta por sete deputados e terá um prazo de até cinco meses para concluir os trabalhos.
Procurada, a Cedae informou que o novo presidente da companhia, Rafael Rolim, determinou a abertura de uma comissão de sindicância interna para apurar as responsabilidades sobre os investimentos realizados pela empresa, especialmente aqueles feitos no Banco Master. A apuração será concluída até o fim de maio e contará com quatro funcionários da área de governança. A TV Globo não conseguiu contato com a RioPrevidência para comentar o assunto.



