Advogados são presos em SP por fraudes judiciais e financeiras milionárias
Advogados presos em SP por fraudes judiciais milionárias

A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram nesta quarta-feira (6) a segunda fase da Operação Têmis, que resultou na prisão de seis suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes judiciais e financeiras. As ações ocorreram nas cidades de Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho, no interior de São Paulo.

Chefia do esquema

O advogado Klaus Philipp Lodoli, preso em Ribeirão Preto, é apontado como um dos líderes do grupo criminoso. Ele já havia sido detido em 2018 na primeira fase da mesma operação, mas estava em liberdade. Desde então, seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estava suspenso. Apesar disso, as investigações indicam que ele continuava atuando, ao lado da esposa, Daiane Cristina Rosa, também alvo da operação. Empresas de fachada eram abertas em nome de Daiane para atrair vítimas.

Funcionamento das fraudes

Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava dados pessoais de pessoas em situação de vulnerabilidade para ajuizar ações judiciais sem o conhecimento delas. As ações exigiam supostas diferenças de expurgos inflacionários dos planos Collor, Verão e Bresser, causando prejuízo milionário a instituições financeiras. Os expurgos inflacionários referem-se a parcelas da inflação não aplicadas na correção de ativos financeiros durante a transição de planos econômicos nas décadas de 1980 e 1990.

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As vítimas eram abordadas por advogados ou intermediários com promessas de quitar dívidas, e assinavam procurações sem saber que estavam sendo usadas em ações judiciais fraudulentas. O esquema envolvia a distribuição de milhares de ações em diversas comarcas do país.

Mandados cumpridos

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão. Os presos são:

  • Klaus Philipp Lodoli
  • Rafael de Jesus Moreira
  • Carlos Renato Lira Buosi
  • Daiane Cristina Rosa
  • Carine Costa e Silva Araújo
  • Donizete Gomes da Silva

Entre eles, Klaus, Rafael, Carlos Buosi e Carine são advogados. Durante a chegada à delegacia, Carlos Buosi afirmou estar tranquilo e que provará sua inocência.

Apreensões e medidas judiciais

Foram apreendidos quatro veículos, documentos, computadores e celulares, que passarão por perícia. A Justiça determinou a suspensão do exercício da advocacia dos investigados, a suspensão das atividades das pessoas jurídicas usadas nos crimes e o bloqueio de bens e valores para reparação de danos.

Posicionamento da OAB

Em nota, a OAB informou que a Comissão de Prerrogativas acompanhou as diligências para garantir o respeito às prerrogativas profissionais. A entidade afirmou que possui instâncias próprias para apurar condutas ético-disciplinares e que segue acompanhando o caso.

O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB de Ribeirão Preto, Paulo Martins Cason, destacou que, se comprovado que Klaus exerceu advocacia mesmo com o registro suspenso, poderá sofrer sanção ético-disciplinar, incluindo exclusão da entidade. Advogados ativos envolvidos também serão investigados.

Crimes imputados

Os investigados devem responder por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados.

Primeira fase da Operação Têmis

Deflagrada em janeiro de 2018, a primeira fase identificou fraudes que causaram prejuízo de R$ 100 milhões a bancos. Dez pessoas foram acusadas, incluindo quatro advogados. Na ocasião, os envolvidos obtinham ilegalmente dados de correntistas e ajuizavam ações sem o conhecimento das vítimas.

A reportagem tentou contato com as defesas dos investigados, mas não obteve retorno até a última atualização.

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